UM ABACAXI QUE É DESCASCADO EM CONJUNTO

Conheça o coletivo que promove alimentação saudável em Curitiba

Leonardo Bertoldo e Paloma Costa (*)

Embalados pelo desenvolvimento das redes sociais, os coletivos surgiram para trazer para o ambiente off-line a proposta do que é feito diariamente na internet: agrupar pessoas que pensam, agem e trabalham com objetivos comuns. 

Em Curitiba a reunião de coletivos de diferentes configurações é uma realidade. Do Nex Coworking (espaços de trabalho independentes que reúne pessoas para troca de ideias e experiências) ao Atelier SOMA (espaço cultural híbrido voltado para a arte e suas expressões), é possível perceber que urge nas novas gerações uma vontade que transpassa a realização financeira: o foco é o ser, o trocar experiências e o crescer como ser humano.

De acordo com Ricardo Dória, fundador do primeiro coworking de Curitiba, o importante é formar redes, das sociais às profissionais, passando pelas inventivas e sonhadoras. Essa é a intenção do espírito coletivo: repensar as formas tradicionais de hierarquia, poder e comando de organizações.

Em meio a uma onda de incentivo a um estilo de vida saudável e a uma alimentação melhor, surgiu em 2014 a Central do Abacaxi, coletivo de culinária que é definido por uma de suas criadoras, Amanda Kosinsk, como “uma ideia gastronômica, com uma cozinha itinerante que quer um comer como experiência.”

Com a proposta de ter a comida como pretexto, Amanda e sua namorada Camila Frankvi, ambas formadas em gastronomia pelo Senac, organizam e participam de eventos em que possam levar sua cozinha inventiva. Sem cardápios engessados e com muitas ideias na cabeça, as meninas têm como objetivo a comunhão de produtos naturais e feitos de maneira colaborativa.

Por já ter participado de outros coletivos na cidade de São Paulo, Amanda fala que a busca da Central do Abacaxi é a profissionalização dos processos para que as pessoas percam a impressão de que coletivos de gastronomia são hippies ou extremamente alternativos. Em meio a algumas dificuldades (o maior desejo da Central hoje é possuir um espaço físico), Amanda e Camila não perdem o bom-humor: “A ideia que a gente tem é de movimentar esse cenário e repensar o hábito da alimentação.”

E na Central do Abacaxi todo mundo coloca a mão na massa. Além de utensílios também angariados de maneira colaborativa e sem nenhum pré-requisito, para ajudar, cozinhar e experimentar é só entrar em contato com a Central pelas redes sociais.

Na busca de um melhor entendimento de como funciona uma cozinha colaborativa e também para entender a proposta por trás da Central do Abacaxi, participamos de um evento organizado pelas meninas.

No dia 2 de abril, às 12h, aconteceu o evento da Central chamado “Abacaxi de Almoço”. Ele foi realizado na Rua Solimões, 541, em uma casa colaborativa cedida por um dos participantes, que permitia ao público ficar à vontade e poder acompanhar de perto a produção da comida.

O dia estava ensolarado e o ambiente externo, junto com a música de fundo, ficou muito agradável para conversas. Como as chefs sempre fizeram, elas ficaram à disposição para conversar com todos que chegaram ao local, e explicaram detalhadamente, a procedência de cada alimento utilizado na refeição. Lá almoçaram treze pessoas e mais as duas cozinheiras, que se juntaram aos outros após servirem todos os pratos.

O cardápio do almoço foi uma massa fresca com molho de putanesca (mas sem anchovas), acompanhada de salada de acelga com relish de pepino. Comida bem feita, com intenso sabor, tempero e gosto de almoço em família. Para a sobremesa, elas elaboraram uma torta própria de limão com creme de queijo fresco.

Apesar de acharem que não são especialistas em doces, a torta das meninas estava delicada e fechou perfeitamente a refeição. O chá gelado, que era a bebida servida, também era natural e orgânico. Fora ele, existia a opção de comprar as bebidas da casa, porém isso não tinha relação com a Central do Abacaxi. Os pratos foram entregues pontualmente, um a um na porta da cozinha, o que aproximou ainda mais os clientes. Segundo elas, essa forma de cozinhar e servir os alimentos lembra um “almoço de domingo na casa da avó” e transmite mais qualidade e sabor a cada prato.

Camila explicou que esse tipo de evento acontece em média uma vez por mês, com temas variados de acordo com a época do ano. O mais tradicional deles é a Pierogada, que tem à frente Amanda, descendente direta de poloneses.

Os principais objetivos delas são proporcionar uma experiência agradável e uma comida gostosa para o público que já as acompanha e também atrair novas pessoas interessadas em conhecer esse movimento de alimentação saudável. Apesar de, normalmente, as comidas orgânicas serem muito mais caras, o “Abacaxi de Almoço” custou R$ 30.

Levando em conta que era uma refeição completa, com bebida inclusa e possibilidade de repetição, o preço era justo. No entanto, mais do que observar o preço, a mensagem que elas deixaram ao final do evento foi para a população repensar os seus hábitos e ter consciência da origem de todos os alimentos consumidos.

Fotos por: Paloma Costa

A alimentação orgânica como alternativa saudável

Isabel Noernberg

Há quem busque qualidade de vida por meio da alimentação e vê os alimentos orgânicos como alternativa.Para a nutricionista Bruna Isadora Trennepohl, eles são essencialmente livres de agrotóxicos, usados por produtores agrícolas para se obter melhora na qualidade e rapidez do cultivo e controle de pragas. Eles são danosos ao organismo. A ingestão pode causar doenças crônicas como câncer, diabetes e até levar à má formação congênita de crianças.

Tantos prejuízos podem ser sanados com uma alimentação mais consciente, com produtos que não carregam este arsenal químico. A nutricionista explica que uma alimentação orgânica é rica em sais minerais e vitaminas. Além disso, são benefícios experimentados por todo o ecossistema. Segundo Bruna, o aumento pelo interesse e consumo vem crescendo, e é um potencial nicho de mercado popular, uma vez que todos precisam ter uma alimentação saudável.

Comprovando os benefícios da alimentação orgânica, Claudete Cieslinski é uma consumidora de produtos naturais e conta que sua alimentação orgânica trouxe inúmeros benefícios.

Segundo ela, é uma escolha da família prezar por alimentos sem agrotóxicos e hormônios, “os alimentos naturais são mais caros sim, porém a economia é sentida na hora de procurar recursos médicos, meu filho, por exemplo, nunca precisou de tratamento por problemas de saúde”, conta Claudete.

“Cada nutriente presente nas frutas e verduras tem algum tipo de ação em nosso organismo”, para ela, é necessário balancear os alimentos na hora de compor refeições. Sendo assim, a alimentação orgânica é mais que uma alternativa para quem busca saúde, é uma prerrogativa para a qualidade de vida.

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