VAMOS DE BIKE HOJE?

Bicicleta Gigante do prédio central da Prefeitura de Curitiba (Centro Cívico) - Amanda Mendes

Bicicleta Gigante do prédio central da Prefeitura de Curitiba (Centro Cívico) – Amanda Mendes

Amanda Mendes e Ubiratan Martins (*)

Nathan Vidal tem uma rotina comum à maioria das pessoas: acorda cedo, estuda, trabalha e aproveita o tempo livre para se divertir. Estudante de Comunicação na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), ele dependia do transporte público para se locomover pela cidade, porém, com o trânsito engarrafado nos horários de pico, ele demorava em torno de uma hora para chegar até o campus do Centro.

Segundo a URBS, empresa que gerencia o transporte coletivo de Curitiba, cerca de 1.620.000 de pessoas utilizam o transporte público todos os dias, demanda alta que reflete em problemas como a superlotação de tubos e atrasos constantes nas linhas mais procuradas.

Insatisfeito com o valor pago na tarifa, atualmente R$ 3,70, e com o tempo que perdia no trajeto, Nathan escolheu trocar o ônibus pela bicicleta. Desta forma, passou a chegar à faculdade em menos de 30 minutos, quando antes levava quase 1 hora. Além disso, diariamente consegue economizar cerca de R$ 15,00, valor que seria pago no deslocamento entre a sua casa, faculdade, trabalho e o retorno no final do dia.

Segundo o estudante, Curitiba melhorou bastante nos últimos anos em relação à estrutura de circulação de bicicletas, principalmente como opção de lazer, com a implantação de vias que facilitam o acesso aos parques. Porém, para o dia a dia, faltam vias mais funcionais que facilitem a transição de um bairro mais distante para as regiões centrais.

Outro ponto mencionado por Nathan é a falta de segurança para quem utiliza a bicicleta nas ruas e avenidas da cidade, pois como na maioria delas não existem ciclovias, os ciclistas precisam dividir as pistas com os motoristas, o que é um risco para todos.

Assim como as capitais São Paulo e Rio de Janeiro, que possuem muitos quilômetros de ciclovias, Curitiba tem se preocupado cada vez mais com a mobilidade urbana. Eleita em 2015 a cidade mais verde do país e da América Latina pelo Índice Verde de Cidades, a capital paranaense é referência quando o assunto é meio ambiente. Recentemente, a prefeitura implantou as chamadas “vias calmas” com velocidade máxima de 30km/h, uma tentativa de reduzir as altas velocidades dos motoristas nas pistas que margeiam as canaletas de ônibus, para que os ciclistas também possam utilizá-las com segurança.

Histórico

A Prefeitura de Curitiba e os órgãos responsáveis pelo lazer e trânsito investem, desde 1970, em ações que contribuem para a utilização da bicicleta como meio de transporte. Um exemplo dessas ações foi a implantação do Plano Cicloviário.

Esse plano, que corta a cidade de Norte-Sul/Leste-Oeste, tem por objetivo ligar as vias próximas às canaletas do ônibus expresso, trazendo maior mobilidade e rapidez aos usuários de bicicleta. O plano consiste no prolongamento de vias calmas, revitalização de ciclovias e implantação de novas rotas para o ciclismo, tornando a vida do ciclista mais tranquila e segura.

Mas não são apenas as ações do poder público que contribuem para a melhoria do uso das bicicletas na cidade. Em 2011 foi fundada a CicloIguaçu- Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu, que tem por objetivo viabilizar as ações de mobilidade, focalizando sempre no quesito segurança do ciclista. Em decorrência das ações propostas pela associação, foram instauradas as políticas de ciclomobilidade em Curitiba e cidades metropolitanas.

Em contrapartida, com tantas mudanças benéficas para a utilização da bicicleta como meio de transporte, Luiz Patrício, coordenador regional do Bike Anjo, afirmou que ainda é pouca a quantidade de pessoas utilizando a bicicleta como principal meio de locomoção.

Luiz utiliza o termo “mudança tímida”, pois ela vem crescendo ao decorrer do tempo, mas que ainda é pouca em relação às cidades onde a bicicleta tornou-se parte do cotidiano das pessoas. E o voluntário da ação Bike Anjo, Marcio Neves, complementa que a segurança é algo extremamente necessário, não só pela parte do ciclista, mas também em relação aos motoristas e pedestres, para que assim possa haver um convívio sadio entre as diversas formas de locomoção na cidade de Curitiba.

 

BICICLETÁRIOS

Outro diferencial da cidade é a disposição de bicicletários, tanto públicos quanto particulares. Hoje, Curitiba conta com três espaços gratuitos localizados nos parques e praças dos bairros Centro Cívico, Jardim Botânico e São Lourenço. Além do espaço seguro para deixar sua bicicleta, você ainda pode aproveitar o sistema de compartilhamento de bikes, ou seja, alugar uma por um valor entre R$ 15 e R$ 25 mensais, pelo uso diário por cerca de uma hora.

No Centro da cidade, mais precisamente ao lado do prédio histórico da Universidade Federal do Paraná, encontramos um dos poucos estacionamentos exclusivos para bicicleta. A Bicicletaria Cultural (esquina entre as ruas Presidente Faria e Alfredo Bufren) é um espaço de apoio ao ciclista urbano em suas necessidades, serviços e informações. O valor cobrado é simbólico, pouco mais de R$ 4,00 pelo dia e cerca de R$ 40 pelo mês. O espaço criado pelo casal de cicloativistas Fernando Rosenbaum e Tissa Valverde também promove eventos e palestras sobre o tema, o que permite a interação entre diversos grupos de ciclistas.

Na frente da Bicicletaria, a Praça de Bolso é outro ponto de referência para o ciclismo na cidade. Inaugurado em setembro de 2014, o local foi construído pelos próprios grupos de ativismo com o apoio da ONG Cicloiguaçu e a prefeitura. O objetivo é ter mais um espaço na cidade para atividades, palestras e reunião de pessoas, não obrigatoriamente ciclistas. Todos são bem-vindos.

Outra iniciativa que integra a política municipal de valorização do uso da bicicleta como modal de transporte foi a implantação de Paraciclos, as diversas barras de ferro vermelhas espalhadas pela cidade e que já são comuns aos olhares curitibanos.  Hoje já são mais de 50 pontos instalados, com variação de capacidade de 6 a 10 bicicletas. O projeto prevê ainda a colocação de Paraciclos em terminais de ônibus para que a população substitua o uso de carros e motos por meios alternativos e menos poluentes.

Paraciclo implantado no Centro Cívico/ Amanda Mendes

Paraciclo implantado no Centro Cívico/ Amanda Mendes

CICLOLAZER

A bicicleta também é uma forma de lazer muito utilizada pelos moradores de Curitiba. Nos dias mais quentes torna-se uma opção refrescante, bastante divertida e pode ser feita em parques, praças e até mesmo em ruas e avenidas.

Pensando nisso, todo domingo a prefeitura coloca em prática o projeto Ciclolazer que visa reservar um trecho das vias no trajeto entre a Praça Nossa Senhora de Salete e a Rua São Francisco, próximo à Feirinha do Largo da Ordem, para os ciclistas poderem praticar a pedalada com tranquilidade, conforto e segurança. Segundo a administração municipal, o projeto chega a atender cerca de 2 mil pessoas por domingo.

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CICLOATIVISMO

O cicloativismo, que é conhecido na língua inglesa como bicycle advocacy, consiste em atividades que defendem os direitos dos ciclistas no uso da via pública, visando melhores condições para pedalar e popularizar o uso da bicicleta como veículo. Não há como precisar quando o movimento chegou a Curitiba, visto que a maioria dos grupos surgiu a partir da iniciativa de pessoas que já utilizavam a bicicleta como meio de transporte modal.

Tais grupos utilizam seus próprios sites e redes sociais para divulgar dicas, atividades, projetos e eventos. O objetivo é apenas um, mas como a maioria conta apenas com a colaboração de membros, é um trabalho diário que requer atenção não apenas dos ciclistas, mas sim de todos que protagonizam o trânsito urbano.

No primeiro domingo de cada mês, os voluntários do Bike Anjo se reúnem na Praça Nossa Senhor da Salete, no Centro Cívico, para ajudar aqueles que não sabem andar de bicicleta ou possuem alguma dificuldade. Em entrevista, Luiz Patricio (coordenador local do Bike Anjo) contou que o projeto surgiu em São Paulo e hoje está presente em mais 250 cidades. A principal atividade da ONG é a EBA – Escola Bike Anjo, onde são dadas dicas, tanto para ciclistas iniciantes quanto para aqueles que já possuem grande experiência, sobre questões de segurança no trânsito, escolha de rotas e qual o modelo de bicicleta mais adequado para a compra.

 

Márcio Neves e Luiz Patrício (Voluntários do Bike Anjo)

Márcio Neves e Luiz Patrício (Voluntários do Bike Anjo)

 

Com uma estrutura simples, a EBA atende qualquer pessoa interessada e o contato pode ser feito diretamente no local ou no site http://www.bikeanjo.com.br, onde é possível fazer a inscrição totalmente gratuita nas aulas e tirar quaisquer dúvidas que tenham. Para quem preferir, basta acessar a página “Bike Anjo Curitiba” no Facebook e conversar com eles através da caixa de mensagem.

Em Curitiba existem alguns outros grupos como o Ir e Vir de Bike, Bicicleteiros e o Pedala Curitiba.

 

BICICLETA TAMBÉM É INCLUSÃO

Em 2 de agosto de 2015, a Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude realizou a primeira edição da ação denominada “Inclusão+Bici”: cinco pessoas que possuem deficiência, intelectual ou visual, tiveram a oportunidade de experimentar qual a sensação de andar de bicicleta.

Márcio Neves, voluntário do projeto Bike Anjo, contou que já teve a experiência de guiá-los: “Foi incrível poder transmitir essa sensação de movimento da bicicleta para quem não pode enxergar. Para eles a alegria foi muito grande, pois tiveram uma experiência totalmente nova e isso foi extremamente gratificante”.

Até o ano passado, o “Inclusão+Bici” ocorria no primeiro domingo de cada mês, das 9h às 15h, promovendo a integração, o lazer e a inclusão social. Atualmente, o Ciclolazer disponibiliza as bicicletas de dois ou três lugares e os voluntários estão preparados para atender quem precisa de atenção especial.

 

(*) Estudantes de Comunicação Organizacional da UTFPR

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