NETFLIX DOS VESTIBULANDOS: MEC OFERECE PLATAFORMA GRATUITA DE VÍDEO-AULAS

Amanda Sousa, Larissa Alves e Mariele Figueiro (*)

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Estudar para o vestibular é o terror da maioria esmagadora dos alunos do terceiro ano do ensino médio. Despender horas na escola ou em cursinhos passou a ser a realidade de jovens como Giselle Anderson de Souza, 16, que está cursando esta etapa escolar no Colégio Estadual Cruzeiro do Sul, em Curitiba. Giselle prestará o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) esse ano para ingressar em uma universidade. “Sonho em fazer psicologia desde que tinha 10 anos, e o ENEM hoje é a melhor chance para o aluno de escola pública conseguir fazer faculdade”, diz a estudante.

Mas todos têm as mesmas condições? Alunos de escolas particulares possuem um sistema de ensino bem estruturado e completo, com professores mais motivados a darem aulas, por consequência, lecionando de maneira mais eficaz. Por diversos motivos, entre eles o baixo investimento em melhorias, a rede pública não mantém o mesmo ritmo e não oferece o mesmo padrão de ensino, assim, indiretamente, força seus alunos a procurem medidas complementares para aprimorar o que foi (ou não) passado na sala de aula.

Por haver essa discrepância entre as oportunidades para jovens adolescentes, o Ministério da Educação elaborou a plataforma MecFlix, que é um site com conteúdo audiovisual de ensino gratuito para qualquer pessoa que tiver interesse em se aprimorar para prestar vestibular ou o Exame Nacional do Ensino Médio. Os vídeos são disponibilizados por meio de um cadastro rápido para ter acesso ao que a plataforma oferece.

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O MecFlix requer um cadastro rápido (foto: reprodução)

O MecFlix é parte integrante do programa “Hora do ENEM”, projeto que auxilia o estudante a se informar de maneira oficial sobre o exame e também fornece conteúdos escolares, tais como exercícios comentados, simulados e entrevistas. A proposta tenta abranger diversos perfis de alunos que estão para se formar no ensino médio, e oferece um complemento de estudo, principalmente para os jovens que são afetados com os problemas enfrentados nas escolas públicas.

Larissa Barth Rúbio quer prestar vestibular e fazer o Enem para cursar Engenharia Florestal. Ela comenta: “Além de ser uma iniciativa muito boa pro aluno que não consegue custear um curso preparatório para o vestibular, o Mecflix é fácil, bom pra estudar e acredito que seja possível que um aluno passe nas provas apenas estudando lá e tendo disciplina nos estudos”.

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Plataforma oferece todas as disciplinas abordadas no ENEM (foto: reprodução)

Além dos incentivos do Ministério da Educação através da Hora do Enem, desde o ano passado, o estudante de escola pública obteve melhores respostas e chances para ingressar numa universidade pública aqui no Paraná. Isso porque a Universidade Federal do Paraná (UFPR), por exemplo, se adequou à Lei Nacional das Cotas. No último vestibular da Universidade (2015), das 4.886 vagas ofertadas, 50% destinavam-se aos cotistas (2.443 vagas), sempre oriundos de escola pública. O total de inscritos chegou a 58 mil candidatos.

De acordo com a Pró-reitoria de Graduação da UFPR, as 2.443 vagas para cotistas eram destinadas da seguinte maneira:

  • Aproximadamente 1.220 vagas para estudantes com até 1,5 salários mínimos de renda per-capta
  • Aproximadamente 820 vagas para candidatos negros, pardos e indígenas
  • Aproximadamente 400 vagas para candidatos com deficiência

Outras 1.929 vagas foram destinadas para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que também possui o sistema de cotas e é contabilizado a partir da nota do ENEM.

A mudança no vestibular causou muita polêmica. Candidatos reclamavam da diferença entre número de acertos para inscritos cotistas e não-cotistas e alguns chegaram até a criticar a qualidade da universidade após o ingresso de estudantes de escola pública de forma mais massiva. Ligia Maria Bacarin, socióloga e doutoranda na UFPR desmistifica essas afirmações. “As cotas existem há muito tempo e elas promovem nada além de equidade em relação aos sistemas de ensino”, disse. Ligia, que também é professora da rede de ensino estadual, afirma que esses números são resultados de Políticas Públicas que reparam danos históricos causados a determinados grupos sociais. Por conta disso, defende, a universidade pública deveria ser destinada à classe que já vêm de escolas públicas, não particulares como se vê nas maiores universidades públicas do país. “O sistema de cotas já existe há 10 anos na UFPR, ela apenas de adequou e fez o sistema funcionar desde o começo do processo seletivo”, completa a socióloga.

A Secretaria de Educação do Estado do Paraná (SEED) já possuía alguns programas de incentivo ao estudo de alunos do ensino público e, em parceria com o Sesi Paraná, montou um portal similar ao MecFlix, o SesiClick que oferece conteúdo de pré-vestibular de forma gratuita, além da ONG Em Ação e o Formação Solidária, que oferecem cursos pré-vestibular de forma gratuita para alunos de baixa renda.

Diante destas várias opções de ensino, talvez não seja exagerado afirmar que ter a tão sonhada vaga na universidade agora não é mais um privilégio de poucos, mas sim uma oportunidade para quem sonha.

 

PORTAL ONLINE DE LIVRE ACESSO AO ESTUDANTE DE ESCOLA PÚBLICA É OFERECIDO PELO SESI PARANÁ

Amanda Cristine (*)

O Sesi , em parceria com a Secretaria de Educação do Estado, disponibiliza gratuitamente conteúdos de todas as matérias do Ensino Médio Regular para que jovens e adultos possam estudar para o vestibular ou o Enem. Dentre o material ofertado no SesiClick existem conteúdos de apostilas de pré-vestibulares, vídeo-aulas, simulados, fóruns de discussão e exercícios de matérias específicas em relação ao tradicional vestibular da UFPR, além de dicas de redação.

O portal, que existe desde 2010, já atendeu mais de 12 mil estudantes, também oferece um plantão de professores online que respondem e tiram dúvidas de alunos em relação a algum conteúdo disponibilizado no site.

portal sesi

A iniciativa do portal do Sesi segue a linha da ONG Em Ação (entidade apoiada pelo Sesi Paraná), que é oferecer um conteúdo de qualidade para alunos que não possuem condições financeiras – e também condições de mobilidade, no caso do portal online – se prepararem para os vestibulares e provas.

Alunos do Colégio Sesi, da ONG e de toda a comunidade escolar Pública têm acesso livre ao conteúdo do Portal Sesi Click. Você pode fazer sua matrícula aqui.

 

PRÉ-VESTIBULARES GRATUITOS NO PARANÁ DÃO OPORTUNIDADE A ALUNOS DE BAIXA RENDA

 Mariele Machado (*)

Há organizações empenhadas em contribuir para que mais alunos de baixa renda ingressem no ensino superior, como é o caso da ONG Em Ação e o Cursinho Solidário. Com dois processos seletivos durante o ano, os programas buscam dar oportunidade para esses alunos através de aulas gratuitas durante todo o ano.

A ONG Formação Solidária possui o projeto Cursinho Solidário, e atende 410 alunos por ano. Desde 2004, a organização se tornou referência com projetos sociais pela seriedade e qualidade de ensino. Nos últimos dois anos, o cursinho aprovou mais de 140 alunos nas universidades públicas além de participação no programa ProUni, com bolsas integrais.

Já ONG Em Ação foi fundada em 2000 quando um grupo de acadêmicos voluntários, estudantes da Universidade Federal do Paraná, se juntaram para transformar o público elitizado das universidades em um público mais diversificado. A partir da primeira turma, o projeto cresceu e já teve participação na entrada de mais de mil alunos na Universidade. A ONG sobrevive da taxa única de inscrição dos processos seletivos e atua em Curitiba e São José dos Pinhais.

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Banho de lama com alunos do Em Ação de 2015. (Foto por Mariele Figueiro)

As aulas do Em Ação acontecem todos os fins de semana e recebem apoio de professores voluntários e ex-alunos que, após alcançarem a desejada vaga na faculdade, voltam para repassar a experiência que viveram numa espécie de corrente do bem. Parte importante desse trabalho são os próprios alunos que, além de gratos, se sentem inspirados pela ONG. Como é o caso de Bruna Cavalheiros que está buscando uma vaga em Psicologia na Universidade Federal do Paraná. “O primeiro contato direto com a ONG foi na aula inaugural, ouvi várias histórias diferentes de ex-alunos que tinham o mesmo objetivo que eu e me fizeram entender que estava no lugar certo”, comenta a vestibulanda. Bruna está prestando vestibular pela segunda vez e diz que não se arrepende de ser novamente aluna do Em Ação, pois na ONG fez várias amizades e tem oportunidade de aprender conteúdos que vão além da sala de aula e que sempre levará consigo.

João Guilherme de Paiva, professor de História da Em Ação conta que a motivação de dar aula voluntariamente são os próprios alunos. “Desde o empenho sobre-humano que eles mostram até a amizade que, naturalmente, surge, são os alunos que fazem o conforto do final de semana ser segundo plano”, explica Paiva. Lecionando na ONG pelo segundo ano, o professor conta que foi no típico banho de lama promovido pela UFPR que, vendo a aprovação dos alunos, entendeu que existência da ONG deveria ser obrigatória no mundo.

(*) Estudantes de Comunicação Organizacional da UTFPR

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