CLICK! O HÁBITO DE FOTOGRAFAR

Barbara Brayner, Igor Saiene e Luciano De Marchi Mello (*)

A fotografia tem se consolidado como um importante instrumento da humanidade na busca pela compreensão do processo histórico. Por meio de imagens registradas, podemos manter um vínculo direito com algum acontecimento posicionado em um instante específico e localizado em um espaço determinado. Se, por muito tempo, a fotografia permaneceu restrita a profissionais, devido aos altos custos dos equipamentos, os recentes avanços tecnológicos estão possibilitando que cada vez mais pessoas possam desenvolver o hábito de fotografar.

Uma pesquisa desenvolvida pelo Departamento de Administração da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ), em 2014 – que contou com 400 entrevistados, permitindo-se a escolha de mais de uma alternativa concomitantemente – constatou que para 84,2% dos participantes a fotografia é considerada uma forma de registro para a posterioridade, enquanto 60,4% consideram a atividade como uma forma de expressão artística.

Constatou-se também que 59% não ampliam mais as fotos. A possibilidade de publicitar os registros sem a necessidade de materializá-las no papel, por meio das redes sociais, pode ser uma das causas do fenômeno.  A mesma pesquisa revelou que, na hora de compartilhar, o rede social mais utilizada é o Facebook (95,3%), seguida pelo Whatsapp (51,5%) e pelo Instagram (30%).

Para Caio Costa Laghi, 23 anos, estudante de Psicologia da Universidade do Sagrado Coração, a fotografia representa mais do que a possibilidade de recordar momentos de sua vida. Estudando fora de sua cidade, longe de seus familiares, Caio fotografa seu cotidiano como forma de manter contato com seus parentes: “Temos um grupo familiar, no Whatsapp, onde procuro enviar fotos das coisas interessantes que acontecem no meu dia-a-dia. Quando vejo alguma coisa legal que lembra meu irmão, por exemplo, tiro uma foto e envio para ele”.

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Crédito: Arquivo Pessoal de Caio Costa Laghi

Já a assistente social aposentada, Silvia Melnechuky, 56 anos, fotografa em raras oportunidades, em situações mais práticas: “Eu quase só fotografo meus bichos de estimação pra mostrar pra minha filha, alguma coisa diferente que eles tenham feito. Ou então, quando vejo alguma coisa errada, no trânsito… Assim, pra ter alguma prova”. Questionada ainda sobre o destino das fotos, Silvia diz que antes revelava e ampliava todo o filme, mas com as facilidades dos arquivos digitais, nem todas são aproveitadas: “Se eu achar que tem algum nexo eu uso as fotos, senão eu apago.”

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Crédito: Aquivo Pessoal de Silvia Melnechuky

É fato que os avanços tecnológicos mudaram a maneira como fotografamos. Seja pelo aprimoramento das técnicas, pelo barateamento ou pela portabilidade, nosso envolvimento com o fragmento temporal compreendido como “fotografia” tem sido alterado em passos largos. Porém, mesmo com todas as transformações, fica clara a relação particular que temos com nossas fotos. A humanidade é diversa e assim também é a fotografia. Cada indivíduo fotografa o mundo de acordo com sua própria perspectiva. Por um lado, nossas recordações estão cada vez mais descartáveis e voláteis, mas por outro, nunca fotografamos tanto.

(*) Estudantes de Comunicação Organizacional da UTFPR

 

A FOTOGRAFIA POPULARIZADA

Desde a invenção da primeira câmera fotográfica instantânea, em 1947, a fotografia tem se popularizado no mundo inteiro. Com câmeras portáteis, o hábito de fotografar momentos da vida se tornou cada vez mais comum. Porém, desde o início do século 21, com a modernização dos aparelhos de telefone móveis, e, principalmente, as redes sociais, o número de fotografias que estávamos acostumados a tirar e o alcance que essas fotos teriam, cresceram exponencialmente. O costume popular em relação a fotografias não comerciais, era ter suas imagens reveladas e expostas em porta retratos, álbuns e quadros. Mais a frente, com o surgimento das câmeras digitais, passou-se a armazená-las em computadores e periodicamente, teríamos essas fotos ao nosso alcance e voltaríamos a procurar e vê-las.

Com o surgimento de novas câmeras portáteis, o hábito de fotografar foi deixando de ser um momento onde se parava tudo para registrar algo que fosse interessante, para se transformar em uma atividade menos metódica, mais ágil – e essa agilidade aumentou muito a quantidade de fotografias que vemos. Seja para os registros familiares, como fotos de seus animais de estimação ou do dia a dia, seja para registros mais pessoais e artísticos, como fotos de lugares ou coisas que gostamos, a prática da fotografia no cotidiano foi se tornando cada vez mais presente para todos.

 

A INFLUÊNCIA DAS REDES SOCIAIS NA FOTOGRAFIA

Com uma câmera no bolso em quase todos os momentos, o hábito de se tirar fotos se tornou algo cotidiano, a qualquer momento as pessoas podem retirar seu celular do bolso e tirar fotos de si mesmos, de seus amigos ou de suas atividades, e o compartilhamento faz esse gesto mais prazeroso e mais valioso, mostrar aos outros o que você está fazendo ou como está.

Surge daí a palavra ‘selfie’, que tem sua origem do inglês, nascida com a popularização das redes sociais, corresponde as fotos que uma pessoa tira de si mesmo com sua própria câmera, usualmente a de um celular, esse ato que gerou muitas discussões nos últimos anos sobre o narcisismo de cada um.Retomando a tempos antigos, desde pinturas, até o início da fotografia, os dois comportamentos sempre estiveram muito presentes, no narcisismo representado em retratos pendurados em quadros sobre a parede de suas casas com pinturas e retratos de si mesmos ou de suas famílias, ou do registro de belas paisagens e de eventos importantes, refletindo as raízes desses comportamentos praticados nos dias de hoje. Portanto as redes socais influenciaram e contribuíram para um novo modo de comportamento e interação com imagens, trazendo uma nova necessidade de compartilhar seus registros, e ter o reconhecimento por eles de uma forma direta nos likes e interações de outras pessoas sobre suas imagens, mudando e trazendo novas formas de se ver, e tirar fotos.

 

ANALÓGICO  X  DIGITAL

A escolha vai depender tão e somente da finalidade que se dará à câmera, e aos trabalhos produzidos, visto que há diferenças impactantes entre as duas tecnologias. E é claro, da preferência do profissional. Atualmente grande parte dos fotógrafos em atividade utilizam equipamentos digitais porque são bem mais viáveis financeiramente falando e porque fazem parte da geração do digital, como é o caso da Tati Dellani, fotógrafa residente em Curitiba e especializada em eventos. No mercado há quatro anos, ela afirma que só começou a fotografar porque estava na era do digital, caso contrário teria se especializado provavelmente em outra área.

Já a estudante Thayna Bressan, também fotógrafa, ama câmeras analógicas e todo o processo que gira em torno da tecnologia, desde o cuidado extremo com a luz na hora de capturar a imagem até a surpresa com o resultado na ampliação. É possível até encontrar máquinas usadas por preços bem acessíveis e com isso voltar no tempo sentindo o gostinho do antigamente. E essa procura só fez aumentar nos últimos anos.

Tabela tecnologias fotograficas

Crédito: Bárbara Brayner

FOTO 9        FOTO 10                Crédito: Tati Dellani                                         Crédito: petapixel.com

 

APROVEITANDO O ASSUNTO… FOTÓGRAFOS DE CURITIBA PROTESTAM CONTRA MUDANÇAS NO MUSEU DA FOTOGRAFIA

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Crédito: Rubens Nemitz Jr.

No primeiro semestre deste ano, durante a abertura da Gibicon, no Solar do Barão, fotógrafos de Curitiba reuniram-se em um protesto pacífico e silencioso e pediram, através de um manifesto, explicações ao prefeito da cidade, Gustavo Fruet, sobre a mudança do Museu da Fotografia para outro espaço, sem o devido consentimento ou até mesmo notificação aos fotógrafos da cidade.

Este fato gerou bastante polêmica e arbitrariedades visto que muitos chegaram a crer que ele teria suas portas fechadas. Essa manifestação mostrou a união da classe e a importância que o Museu tem nas vidas desses profissionais. O Museu da Fotografia Cidade de Curitiba foi o primeiro do seu gênero no Brasil, tendo sido fundado no ano de 1998. Ele conta com mais de 1.500 imagens assinadas por grandes nomes da fotografia e vários equipamentos antigos em seu acervo, além de abrigar várias exposições todos os anos.

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