POR DENTRO DO INTERCÂMBIO NA UTFPR

 

Bruna Carvalho e Isabel Noernberg (*)

A vida acadêmica é cheia de possibilidades, e ao longo dela, estudantes do nível superior têm a chance de vivenciar diversas experiências, uma delas é o intercâmbio, que gera marcas profundas na vida dos universitários que deixam o país para se aprofundar nos estudos imersos em outra cultura.

De acordo com os dados presentes no Blog do Aluno da universidade, a UTFPR foi a instituição do estado do Paraná que mais enviou alunos para projetos fora do país, enquanto a Universidade Federal do Paraná e a Estadual de Maringá ficaram em segundo e terceiro lugar respectivamente.

gráfico intercambio

Esclarecendo melhor essa realidade na UTFPR, Carolina Boschco, responsável pela burocracia dos intercâmbios na Diretoria de Relações Interinstitucionais (Dirinter), afirma que “para a criação de parcerias entre universidades o contato inicial pode partir do escritório de relações internacionais, de um professor ou de estudantes”. A iniciativa pode ocorrer tanto da UTFPR quanto da instituição estrangeira. “Também ocorrem encontros internacionais, onde são realizados networks e firmadas parcerias”.

Atualmente, a UTFPR dispõe diversos programas de intercâmbio para a graduação, “além do Ciências sem Fronteiras, há programas como a MEI (Mobilidade Estudantil Internacional), Brafitec (Projeto conjunto de pesquisa), Marca (Mobilidade Acadêmica entre países do Mercosul), e PEC-G (Estudantes-Convênio de Graduação). Este ano tivemos também o edital do programa Erasmus (programa de mobilidade criado e financiado pela União Européia), para intercâmbio na Irlanda”. Há ainda programas para servidores sendo estágios linguísticos na Irlanda e França. Além disso, existem programas na pós-graduação, para mais informações a servidora forneceu o email do responsável: lrodrigues@utfpr.edu.br.

Em relação a quantidade de vagas disponíveis para cada programa, não existe um número definido, as vagas abrem em editais conforme disponibilidade e recursos “depende do programa, no último edital da MEI, por exemplo, foram ofertadas 57 vagas”, afirma Carolina. As Universidades conveniadas encontram-se no menu instituições conveniadas no site da universidade.

Em âmbito geral, embora não existam informações deste ano, o número de alunos que estão cursando a faculdade fora do país e inseridos na instituição é consideravelmente grande. De acordo com os dados de 2015 fornecidos pela Direnter, a UTFPR enviou 491 alunos para realização de atividades de intercâmbio, sendo nos programas Ciência sem Fronteiras (468), MEI (21) e MARCA (2). Já, a instituição, recebeu 18 alunos estrangeiros nos programas PEC-G (2), MEI (7), MARCA (3), PROPAT (1), e através dos acordos de dupla diplomação vigentes com o Instituto Politécnico de Bragança (5). “Há também diversos alunos participantes de mobilidade na Pós-Graduação”, conta Carolina.

Para os intercambistas estrangeiros que estão inseridos na UTFPR, há suporte através de projetos como o Conversation Club (Clube de conversação) promovido pelo Centro Acadêmico de Línguas Estrangeiras Modernas. Isto gera integração entre os alunos que precisam praticar línguas estrangeiras, bem como proporciona aos estudantes estrangeiros melhor compreensão e aprendizado da língua portuguesa.

Participante das oficinas da língua alemã, a estudante Paloma Costa, do curso de Comunicação Organizacional, conta que ficou sabendo sobre o projeto durante as aulas. “O curso funciona da seguinte forma: os alunos interessados entram em contato com os professores responsáveis, que providenciam o encaixe entre um  estudante brasileiro e um alemão”. A partir disso, os estudantes se comunicam através de e-mail, para criar certa intimidade, para depois se encontrarem pessoalmente em reuniões semanais palestradas pelos orientadores do projeto.

Sobre possibilidades da Universidade em relação ao universo acadêmico internacional, estão disponíveis mais informações no site da UTFPR, e também no Blog do Aluno, onde se encontram os editais, matérias, histórias e experiências vividas pelos estudantes nos países em que realizaram o intercâmbio.

 

O CARIMBO QUE FALTA NO PASSAPORTE DOS ALUNOS DE COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL

Leonardo Bertoldo Werner Wollinger (*)

Com grandes parcerias firmadas com universidades estrangeiras que fazem da UTFPR referência em intercâmbios acadêmicos na área de exatas, surgem dúvidas quanto à articulação de programas internacionais para os novos cursos da UTFPR, em especial o de Comunicação Organizacional. Em um ano atípico, em meio a incertezas políticas, congelamento do programa Ciência Sem Fronteiras e o reconhecimento do bacharelado pelo MEC, Carolina Mandaji, coordenadora do curso de Comunicação Organizacional, falou a respeito da articulação e do interesse de universidades estrangeiras por alunos da instituição.

1) Como funciona a articulação com universidades estrangeiras?

De acordo com o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da UTFPR 2013-2017, existe uma meta a ser cumprida pela instituição que tenta dar conta desse processo de busca por parcerias, convênios e acordos interinstitucionais da UTFPR com outros países.  Hoje existe um início de diálogo com instituições de Portugal que poderá abrir uma possibilidade de dupla diplomação para os alunos de Comunicação. O convênio entre a UTFPR e esta instituição já existe e estamos no momento de estudos de viabilidade.

2) Como você percebe hoje o interesse de instituições estrangeiras por alunos intercambistas das áreas humanas e sociais?

Um dos maiores incentivos à mobilidade internacional, sem dúvidas, foi o programa Ciências sem Fronteiras, que buscava, dentre outros, a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia brasileiras. Então, o incentivo perpassa áreas científicas cuja pesquisa resulte em tecnologia e inovação, e dessas 18 áreas contempladas, a que mais se aproxima das áreas humanas e sociais seria a ‘Indústria Criativa’. Em suma essa porcentagem é pequena diante do todo, mas quanto mais projetos existem, mais essas áreas tendem a se consolidar. Agora os convênios e até editais mais abrangentes que contemplem as ciências humanas e sociais começam a ser firmados aqui na UTFPR. Este ano tivemos um edital que contempla a área de Comunicação com vagas para a Espanha e Portugal. Sabemos do período de certa incerteza econômica que estamos passando, e entendo que a mobilidade internacional é um dos objetivos da UTFPR e continuará sendo incentivada, dependendo, claro, das demandas das outras universidades parceiras.

3) O reconhecimento do curso pelo MEC contribui para que novas parcerias sejam firmadas?

A questão do reconhecimento pelo MEC não implica na possibilidade de participação dos alunos nos projetos de mobilidade internacional. É válido lembrar que os estudantes do Curso de Comunicação Institucional (em fase de extinção) também participaram e puderam ter essa importante experiência internacional. A abertura do Curso de Comunicação Organizacional passou por todos os trâmites necessários para a oferta de um novo curso à sociedade. O reconhecimento pelo Ministério da Educação obedece a uma temporalidade, ou seja, o curso passará por esse processo no momento que deve ser, a partir do 5º semestre, completados agora em 2016-1. O que vale a pena ressaltar é que sendo uma tecnologia ou um curso de bacharelado, cabe uma proposta de dupla diplomação com universidades estrangeiras. Uma outra coisa é o aumento do corpo docente que nos possibilitou também uma maior rede de relacionamentos com pesquisadores e projetos de outras instituições brasileiras e internacionais

 

INTERCAMBISTAS DA UTFPR

Paloma Costa (*)

É muito difícil encontrar algum intercambista da UTFPR que não tenha gostado da experiência no exterior. Dificuldades à parte, a maioria considera o intercâmbio como uma grande oportunidade de crescimento pessoal. Logicamente, cada tipo de programa e cada país envolve uma determinada adaptação, seja ela à universidade, à língua ou à cultura local.

Pedro Scroccaro Zattoni (22), estudante de Engenharia de Controle e Automação, participou do programa Ciência Sem Fronteiras em 2013, e foi para a Universidade de St. Louis, nos Estados Unidos. Segundo ele, a Universidade americana tinha um contato muito maior com os estudantes internacionais do que é visto no Brasil. Pedro explica que, “todos nós tínhamos uma pessoa que trabalhava na universidade, um advisor, para tirar quaisquer dúvidas que surgissem nesse período de acomodação no novo país”. Para ele, o ano vivido em St. Louis foi uma experiência muito boa. Em suas palavras, “quando se tem a oportunidade de estudar no exterior pela primeira vez, o maior conhecimento que se tira disso não é técnico ou acadêmico, mas sim um conhecimento pessoal e para a vida”.

intercambista Pedro

Pedro  Zattoni em Chicago: arquivo pessoal

Já a catarinense Bruna Gabriele da Silva (22), recém-formada em Administração na UTFPR, fez um intercâmbio de seis meses na Universidade do Porto, em Portugal, pelo programa Mobilidade Estudantil Internacional, em 2015. Ela explica que teve algumas dificuldades no início, por conta da população não ser receptiva. Além disso, nas primeiras aulas da universidade, Bruna não conseguia entender os professores, principalmente os mais velhos.

Diferentemente do programa do Pedro, o Mobilidade Estudantil Internacional não oferece ajuda de custo para os intercambistas, o que resultou em um obstáculo naqueles seis meses em Portugal. “Não foi fácil para mim, pois eu não tinha recursos suficientes para me manter lá, já que não tinha bolsa de estudos”, comenta Bruna. Apesar disso, conclui que foi um ótimo aprendizado, que ampliou seus conhecimentos na área e possibilitou que ela conhecesse diversos lugares e culturas diferentes.

intercambista Bruna

Bruna Gabriele da Silva em Ribeira: arquivo pessoal

 

SUSPENSA A ABERTURA DE NOVAS VAGAS PARA O CIÊNCIAS SEM FRONTEIRA 

Flavia Cruz Alves da Maia

 Devido à necessidade de equilibrar os gastos com o orçamento, o governo federal ainda não divulgou o edital com previsão para novas chamadas para o programa Ciência sem Fronteiras, voltado para a concessão de auxílio para que brasileiros estudem no exterior.  Só no Ministério da Educação houve um corte de 9,4 bilhões, o que acabou afetando a previsão inicial para os anos de 2015 a 2018, para os quais estavam previstas 100 mil bolsas. O que resta neste momento aos alunos da UTFPR é a expectativa de um novo posicionamento do governo depois de equilibrar seus gastos e abrir novo edital.

Caso o governo retome o programa, o foco principal da segunda etapa será ofertar bolsas para alunos de programas de pós-graduação. A quantidade de bolsas para os estudantes de graduação será reduzida.

A primeira etapa do programa Ciência sem Fronteiras teve início em julho de 2011, ofertando inicialmente 101 mil bolsas em até quatro anos. Destas, 64 mil bolsas foram destinadas a alunos de graduação e o restante foi dividido entre cursos de pós-graduação. A meta inicial foi atendida, e até julho de 2015 o governo concedeu o total de 73.353 bolsas para alunos de graduação.

 Mais informações Ciência sem Fronteira.

http://www.cienciasemfronteiras.gov.br/web/csf

Panorama Geral da Implementação das Bolsas do Programa

ciencia sem fornteira

(*) Estudantes de Comunicação Organizacional da UTFPR

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