IDEIAS EM TEMPOS DE CRISE

Bruna Carvalho e Leonardo Wollinger (*)

O Brasil passa por momentos difíceis. Em tempos de recessão, crise econômica e conturbações políticas no país, muitas empresas têm encarado situações adversas e buscam a diminuição de gastos para garantir a sobrevivência. Dentre todos os cortes possíveis, os mais preocupantes são as demissões em massa que têm ocorrido em vários segmentos da economia, elevando as taxas de desemprego e obrigando as pessoas a apostar em novas maneiras de empreender para sobreviver. Juntando um sonho e a vontade de crescer, muitos ex-empregados têm “se tornado empresas”, o que nos últimos tempos tem aquecido o surgimento de startup’s e o investimento no meio digital na área de negócios.

Segundo o relatório de varejo online, disponibilizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a maioria dos que decidem investir no comércio online possuem alta escolaridade (75%), além de estar entre a faixa etária de 25 a 44 anos (84%). Ainda neste segmento, o crescimento de 2005 até 2015 trouxe boas expectativas para os empreendedores, que conquistaram a maior confiança dos consumidores, o que traz uma estimativa de aumento de 8% no faturamento para 2016.

Apesar do nome americano e da clara relação que a população faz do termo startup com a área de tecnologia, se engana quem acha que todas as empresas que surgem hoje estão ligadas com o meio digital. Startup’s podem ser definidas como “um grupo de pessoas que inicia uma empresa, trabalha com uma ideia diferente, escalável e em condições de extrema incerteza”, ou seja, quem empreende e decide ter o próprio negócio em tempos de crise.

É neste ambiente instável, porém fértil para a idealização de grandes projetos que o sonho da Mr. Frank Ateliê Culinário, de Curitiba, se tornou realidade. Essa startup do ramo alimentício é administrada por Karla Beck Ribas, designer de produto, que decidiu apostar no seu sonho depois de algumas decepções na sua área de formação. Em meio a diversas dificuldades enfrentadas no dia-a-dia, Karla explica que a burocracia no país é a maior inimiga de todo empreendedor. Para contornar essa situação muita gente começa seu negócio de forma pequena, sem registro ou nota fiscal. De início esta alternativa pode parecer o caminho mais viável, porém dificulta o negócio a tornar-se uma empresa de sucesso.

Karla aposta na ideia de uma “mesinha de firma”: sistema colaborativo que funciona com a montagem da mesa com os produtos preparados pela Mr. Frank, que variam de acordo com o gosto e a demanda de clientes. A reposição desses produtos também é feita sob demanda, e cada consumidor é responsável pelo pagamento do que consome, gerenciando o caixa no ato da compra. Em fase final de testes em um coworking de Curitiba, a mesinha tem se mostrado com altíssimos níveis de desempenho e feedbacks maravilhosos de seus consumidores.

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Mesinha de Firma: sistema colaborativo para empresas

Quando questionada sobre o investimento para abrir sua empresa, a proprietária conta que a parte relacionada aos custos foi o maior desafio; muito planejamento e a divisão dos processos por etapas foram grandes aliados para concretizar o projeto. Karla colocou a mão na massa e estudou muito – por conta própria – para dar vida à Mr. Frank. Mas é necessário saber que para quem busca empreender existem projetos e incubadoras como a do Sebrae que visam acelerar e dar assistência aos novos empresários.

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Karla Beck Ribas, proprietária da Mr. Frank Ateliê Culinário

Mesmo já sendo formada em design de produto, Karla conta que sempre opta por fazer cursos menores, intensivos e bem focados nos seus interesses.

Em meio a brownies, brigadeiros, sopas e pães, a empresária comenta que o momento de crise foi crucial para o surgimento de novos negócios, mas é preciso cautela para que o sonho não vire uma frustração. “A minha dica para quem busca empreender é que a pessoa foque em resolver problemas reis e menos supérfluos, além de, é claro, empreenderem em áreas flexíveis e adaptáveis às mudanças do mercado. Não adianta focar em um produto ou problema que não dê a possibilidade de aumentar o leque. Novas necessidades surgem todos os dias, e precisamos saber supri-las.

 

QUE TAL UM E-COMMERCE DE PRODUTOS SAUDÁVEIS?

Isabel Noernberg (*)

A Kitanda é uma loja online de produtos para quem busca uma alimentação saudável. O próprio conceito de ‘saudável’ é relativo, explica Renata Tortelli, proprietária do empreendimento: “O que é saudável para quem tem 100 quilos ou mais e busca perder peso é diferente para quem apenas quer manter seus 65 quilos e ganhar massa muscular”. A ideia da loja, com sede em Curitiba, nasceu de experiências profissionais da dona, que veio do ramo de nutrição clínica.

Atualmente a empresa tem disponível para venda mais de 550 tipos de produtos dentre 60 marcas diferentes. A distribuição dos mesmos compreende todo o território nacional. Para quem tem o trabalho dependente de tecnologias, a adaptação às novas tendências da internet é constante – e esta é uma das características do negócio de Renata, que aposta sempre em estratégias de comunicação para que a Kitanda apareça nas telas, por todo o país.

Palavra de quem compra: “Uma alimentação saudável influencia positivamente na qualidade de vida”, afirma Mariana Lima Silveira, farmacêutica e consumidora fiel da Kitanda. Ela conta que pratica atividades físicas e exercícios funcionais: “Precisamos de cada vez mais opções saudáveis de alimentação”, diz a farmacêutica. Sobre a loja online da Kitanda, Mariana elogia a variedade de produtos, a praticidade e o preço, características que se destacam em tempos de crise.

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Cliente da Kitanda, Mariana Silveira exibe seus produtos em sua conta do Instagram

 

NECESSIDADE DE EMPREENDER ALÉM DA CRISE

Bruna Carvalho e Paloma Costa (*)

É fato que, nos últimos tempos, a instabilidade econômica tem feito as pessoas investirem em novos meios de negócio para acharem uma fonte de renda, secundária ou não. Mas também é possível encontrar histórias em que a crise não foi o fator principal. O caso da Flávia Ruiz Retamal, estudante de Relações Internacionais e proprietária da marca Lola li Doces Especiais, é a prova de que, quando a necessidade aparece, é preciso se ajustar à realidade.  Intolerante a lactose e com sensibilidade a glúten, Flávia precisou se adaptar conforme conseguia para não largar a alimentação normal e cair nas comidas “sem graça e sem sabor”.

Para isso foi necessário muita pesquisa, além de aventuras na cozinha, que resultaram em sucesso nas primeiras experiências, aprovadas pela família e amigos. A partir desse momento, tornou-se empresária e investiu no ramo de “doces à base de leite vegetal e livres de glúten, lactose, caseína, soja e açúcar refinado”, destinados a todos, mas pensados especialmente para  “um público que segue dietas especiais”.

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Com a dificuldade de encontrar alimentos para quem precisa seguir dietas restritivas, o Lola Li se desenvolveu e precisou ser divulgado – um momento difícil, segundo Flávia, já que devido aos ingredientes especiais, os produtos possuem valores maiores, que dificilmente são aceitos por quem tem a dieta “normal”. Assim, ela passou pelo maior desafio, que “foi encontrar e entrar em contato com os potenciais clientes que são os intolerantes a lactose, celíacos, alérgicos ao trigo, alérgicos a proteína do leite de vaca, sensíveis a glúten e também veganos”.

A divulgação começou pelo Facebook, através do Clube da Alice, “um grupo secreto que reúne hoje mais de 200 mil mulheres empreendedoras ou em busca de produtos e serviços”. Apesar de haver muita troca de informação entre as “Alices”, Flávia afirma que não obteve muitos clientes por meio do grupo, já que a maioria não se encaixa no seu público-alvo. Mas a ida a eventos, feiras e participações nas demais redes sociais como Instagram ajudaram na divulgação, sem contar o “Facebook Ads que dá um grande retorno”.

Em relação à crise, a empresária comenta que foi afetada como “qualquer empreendedor, mas pelo fato do negócio ainda ser ‘informal’ o problema não é tão grande”. Além disso, o Lola Li é sua segunda fonte de renda, o que contribui também para não ficar tão “pesado” no final das contas.

Para aqueles que desejam começar o próprio negócio, a dica principal de Flávia é “planejar tudo antes, pensar bem no segmento do empreendimento que você vai investir, se você já tem experiência na área e se realmente o mercado necessita aquilo que você tem pra oferecer, alguns mercados já estão muito saturados e por isso são mais arriscados.” Após essas considerações, é preciso “ter persistência”, e ela completa: “Ninguém cresce de um dia pro outro, tudo é conquistado dia-a-dia com muito esforço e paciência”.

(*) Estudantes de Comunicação Organizacional da UTFPR

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