ELES QUEREM SER DONOS DO PRÓPRIO NARIZ (E TAMBÉM DO PRÓPRIO NEGÓCIO)

Samuel Ramos Gonzaga (*)

https://www.youtube.com/watch?v=9IzEgoq7oUo

Escute a música antes de ler a reportagem ou deixe o som rolando enquanto lê esse texto.

Muitos músicos sonham em ser funcionários de uma gravadora, que lhes fornecerá assessoria de imprensa, suporte comercial, jurídico, contábil, um estúdio bom para gravar, músicos de alta qualidade para acompanhá-los em shows e uma série de privilégios, que deixam o artista em situação confortável para se preocupar somente em produzir boas canções em busca do sucesso. O preço disso? A famosa pasteurização, ou seja, o empobrecimento das qualidades artísticas com o intuito de somente agradar a massa.

Isto vende, gera dinheiro, conforto e segurança na carreira. É o sonho de muitos cantores, que querem viver uma vida tranquila através do seu talento – o que é extremamente válido. Mas há artistas que não estão dispostos a se tornarem um mero funcionário que gera mais lucro ao dono da gravadora. Esses, chamados artistas independentes, buscam ser protagonistas da própria carreira, mesmo que isso custe muito mais trabalho, pois as preocupações não são só com a música, mas sim com tudo que é necessário para que ela chegue até os ouvidos do público.

Marechal versa sobre isso na música que é trilha sonora desta reportagem: “Um só caminho. Mais que música, é uma missão. Não rendo pra gravadora. Quer me por sobre pressão…”. Espirito Independente é um hino ao artista que vai à luta sem pasteurizar sua mensagem e sua essência. Ele busca vender muito? Busca. “Meu som é de vida e se divide em longevidade e visão. Mas sem neurose. Igual Calypso, se eu puder vendo um milhão”.  Afinal, essa é sua fonte de sobrevivência. Mas também busca manter-se fiel ao seu chamado e aquilo que acredita ser seu propósito de vida. “Em honra ao sangue do meu sangue, eu jamais dei meu sangue em vão”, sustenta a canção.

marechalFonte: https://www.google.com.br/search?q=marechal+espirito+independente&biw

Essa música também poderia ser trilha para a vida de muitos empreendedores brasileiros que, com a mesma mentalidade independente, abandonam a suposta segurança da vida de funcionário e se arriscam em busca de um projeto muitas vezes árduo e incerto. Esta iniciativa exigirá muito mais empenho e dedicação do que simplesmente vender um período de tempo da sua vida para uma empresa que o contrata. Não que isso seja algo de menor valor, não é! Mas abrir mão da estabilidade para viver uma montanha-russa pode ser algo bem difícil e cansativo.

Segundo dados de uma pesquisa do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada em 2015 e patrocinada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), existem 52 milhões de brasileiros entre 18 e 64 envolvidos na criação ou manutenção de um negócio próprio, o que representa 39% da população. Desses, 21% são empreendedores que estão em estágio inicial. A maioria afirma que foi a necessidade que o levou a empreender. Esses números, embora sejam esclarecedores, apresentam um público mais amplo. Mas o que os jovens, principalmente os universitários, pensam sobre empreender?

De acordo com a Pesquisa “Empreendedorismo nas Universidades Brasileiras 2014”, da Endeavor, que é uma organização de apoio ao empreendedorismo e a empreendedores, 57,9% dos jovens universitários brasileiros pensam em abrir uma empresa. Empresa essa que, segundo a pesquisa, não precisa ser grande. Apenas 11% dos jovens entrevistados desejam ser donos de negócios com mais de 25 funcionários. É notável perceber, por meio desses números, que os jovens brasileiros creem que podem ser realizadores dos próprios projetos. Mas partir da crença para a ação é uma parte mais complicada no processo. Apenas 11,2% dos respondentes já são jovens universitários empreendedores, demonstrando que, apesar da vontade, falta coragem e incentivo para que os alunos do ensino superior deem o primeiro passo.

As universidades, embora apresentem programas e empresas juniores, não conseguem suprir as necessidades dos estudantes para que a iniciativa empreendedora vingue. Muito disso deve-se à falta de divulgação sobre iniciativas empreendedoras dentro das instituições e à falta de disciplinas sobre o tema. Segundo a pequisa, a Internet é a grande fonte de referências para 50,4% dos entrevistados e ajuda muito na hora de colher informações que os preparem para empreender.

Como o início desse texto e a música que o embala sugerem, o caminho do empreendedorismo é um caminho de independência. E é justamente essa palavra que move os jovens brasileiros que empreendem ou sonham em empreender. 53% deles buscam ser independentes. Seria essa independência somente financeira? Ou a independência de poder agir elaborando suas próprias metas e confiando em seus próprios valores e virtudes? O desafio de viver essa independência está movendo uma geração que não acredita que o padrão faculdade > emprego, embora mais seguro e bem sucedido, seja o único caminho a seguir.

São jovens, e também os mais velhos, que há tanto tempo constroem suas próprias histórias, que possuem, segundo MC Marechal, um espírito independente, que preferem correr o risco dessa liberdade em troca de uma realização profunda. “Viver disso é difícil. Raros chegam a esse nível. Mas eu amo tanto o que faço, que esse amor faz ser possível”, garante Marechal. 

 

 UTFPR TEM PROGRAMA QUE INCENTIVA ATIVIDADE EMPREENDEDORA

Gustavo Rodrigo (*)

A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) possui um departamento para incentivar ações de empreendedorismo pelos estudantes, a Divisão de Empreendedorismo e Inovação (DIEMI), pertencente ao Departamento de Apoio e Projetos Tecnológicos (DEPET). A DIEMI foi fundada em 1997 e é responsável pelos projetos da Incubadora de Inovações Tecnológicas, o Hotel Tecnológico e as Empresas Juniores. A divisão abriga a cada ano diversos projetos, e tem como objetivo preparar aos alunos, ex-alunos e servidores da instituição para o mercado de trabalho.

silvana-weber-hotel-tecnologicoSilvana Weber, coordenadora do Programa de Empreendedorismo e Inovação (Proem) da UTFPR – Câmpus Curitiba. Foto: Cristiano Sousa

O Hotel Tecnológico é o processo de pré-incubação, a fase na qual os projetos empreendedores recebem orientação de gestão e empreendedorismo preparando-se para um melhor amadurecimento.

A Incubadora Tecnológica é voltada para projetos que estão em fase de abertura de empresas, vencendo todo o processo burocrático, e formação dos novos empresários. Os projetos podem participar durante um período de um a dois anos, recebendo apoio do programa.

A Divisão ainda organiza e recebe diversos cursos, palestras e workshops durante o ano. Seus principais públicos são os integrantes dos projetos incubados e a comunidade acadêmica interessada em empreendedorismo.

Recentemente, a DIEMI realizou uma parceria com o Sebrae e realizou o evento Start-it-up, o programa trouxe uma palestra sobre empreendedorismo e nas etapas seguintes selecionou 30 projetos para receberem auxílio por profissionais do Sebrae. Para surpresa da professora Silvana Weber, coordenadora-chefe da DIEMI, houve cerca de 250 inscritos no evento. “O aluno da UTFPR quer empreender”, destaca ela. Foram cerca de oito inscritos por vaga, superando as expectativas do departamento.

Em entrevista disponível em: Estudantes da Utfpr, Câmpus Curitiba são contemplados em programa do Instituto TIM o aluno Gustavo Suckow, um dos envolvidos no programa Academic Working Capital (AWC) afirmou:  “o Programa de Empreendedorismo e Inovação foi essencial para que o projeto saísse do papel. O apoio do Hotel Tecnológico, desde o espaço físico até o networking, vem contribuindo muito para o progresso da pesquisa”.

hotel-tecnologicoDa esquerda para a direita, Gustavo Suckow, Leonardo Kalinowski e Yuri Bilk, estudantes de Engenharia Mecânica, pesquisadores do projeto Nanotropic, que consiste no desenvolvimento de uma embalagem com nanoaditivos, com a finalidade de aumentar a vida útil de alimentos perecíveis. Foto: Cristiano Sousa

A DIEMI tem sede no câmpus Curititiba, fica no bloco Q, e está aberta para escutar todos os membros da comunidade acadêmica que têm vontade de empreender. Entre em contato e tire suas dúvidas.

CINCO EMPREENDEDORES PARA SEGUIR NAS REDES SOCIAIS E SE INSPIRAR

  1. Flávio Augusto da Silva

Flávio é fundador da WiseUp e dono do Orlando City. Através de sua página e seu livro, Geração de Valor, ele tem ajudado milhares de pessoas a crerem que o sonho de empreender é possível.

  1. Bel Pesce

A Menina do Vale! Bel é uma das representantes femininas da nova safra de empresários brasileiros. Ela, que empreendeu no Vale do Silício, pode ser uma boa fonte para se conhecer um pouco mais sobre o desafio que é empreender no ramo da tecnologia.

  1. Abilio Diniz

No blog do fundador do Pão de Açucar você encontra de tudo, desde dicas sobre empreendedorismo até futebol. Vale a pena conhecer as histórias de um empresário tão experiente.

  1. Eduardo Lyra

Lyra é um empreendedor social. Ele fundou o “Gerando Falcões”, que vem inspirando milhares de alunos da rede pública de ensino. Lyra nasceu na periferia, filho de pai presidiário e mesmo assim provou que é possível vencer!

  1. Gustavo Caetano

Chamado de ‘Zuckerberg Brasileiro’, Gustavo fundou a SambaTech e costuma compartilhar com seus seguidores no Linkedin dicas e aprendizados que teve à frente da sua empresa.

(*) Alunos de Comunicação Organizacional da UTFPR

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