XÊNIA MELLO, A CANDIDATA DAS MINORIAS

Cristiano Sousa, Jessica Maranho, Kamila Silva, Simone Adams e Tarcila Garcia (*)

A candidata da Frente de Esquerda – coligação que agrega o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e o Partido Comunista Brasileiro (PCB) – Xênia Mello é a única aspirante à Prefeitura de Curitiba a contemplar as minorias em seu Plano de Governo. De acordo com o documento, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negros, indígenas, moradores de rua, além de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBTs) são os que mais sofrem com a falta de políticas públicas e a pouca representatividade nos poderes públicos.

Para ela, nos últimos anos, entre avanços e retrocessos, os Direitos Humanos têm sido ameaçados pelo crescente conservadorismo e fundamentalismo da sociedade brasileira. “A Prefeitura deve ser para as pessoas e pelas pessoas. Será uma gestão democrática e vai romper com o padrão de grupos fechados inacessíveis a contribuição dos movimentos da população”, afirma a candidata.

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Candidata em campanha, na Rua VX de Novembro. Foto: comitê eleitoral

Seu Plano reúne, ainda, as principais propostas em termos de respeito às crianças, ampliação de políticas para idosos e pessoas com deficiência e maior enfrentamento à violência contra a mulher.

Xênia aponta que, na capital paranaense, as crianças estão passando por um momento de redução do direito à educação, com fechamento de centros municipais de educação infantil (CMEIs) e de turmas de classes especiais, diminuição do quadro de profissionais, entre outros cortes na área. “Enfrentamos uma realidade em que as crianças auxiliam na composição da renda familiar, através de trabalho que prejudica seu desenvolvimento. Nossas crianças precisam sair do meio trabalhista adulto e da situação de pedintes”, ressalta no texto do Plano de Governo.

Dentre as propostas apresentadas, ela pretende ofertar vagas nos CMEIs para todas as crianças, fortalecendo e ampliando o acesso à educação infantil e ao ensino fundamental, inclusive com oferta de vagas em período integral. “Vamos inserir as famílias em programas de auxílio social, geração de renda e formação inicial e continuada”, completa.

No que se refere aos idosos e pessoas com deficiências, ela propõe a criação de casas lares em todas as regionais da capital para o acolhimento de pessoas, assim como acessibilidade física total na região central da cidade, em todos os órgãos municipais e em espetáculos culturais, com a inclusão do serviço de áudio legendas nos editais da Fundação Cultural de Curitiba. “Não existe mais justificativa para pedras soltas ou calçadas com buracos, que dificultam o percurso de cadeirantes e deficientes visuais”, pontua.

A igualdade racial também é uma preocupação para Xênia Mello, que sugere a realização de campanhas educativas permanentes de combate ao racismo e de valorização da população negra e toda sua cultura, por meio da inclusão de ensino de História e Cultura Negra nas escolas públicas municipais. Se eleita, quer combater a intolerância para com as religiões de matriz africana e reservar cotas de 20% para negros nos concursos do município.

Além disso, a candidata cita a importância de frentes inerentes à plena cidadania de indígenas, com ações voltadas tanto à preservação de sua memória e ancestralidade, bem como à salvaguarda de seus patrimônios culturais e religiosos.

No âmbito do público LGBT, o Plano de Governo dispõe de propostas como a criação de campanhas municipais para combater a LGBTfobia à programas de acompanhamento e de acolhimento de famílias no processo de conhecimento, aceitação e respeito à orientação sexual e à identidade de gênero de parentes. “Quero garantir a dignidade de vida às pessoas trans, a partir do respeito ao nome social em todos os espaços da administração pública e da criação de ambulatório de atendimento especializado a essas pessoas”, acrescenta.

Finalizando as proposições destinadas às minorias, a candidata se dirige à população em situação de rua. Segundo ela, a ideia é garantir melhor qualidade de vida a esse público, oferecendo educação, cursos profissionalizantes, programas de acesso à moradia, a exemplo do aluguel social, acesso a atividades culturais, artísticas, de lazer e esportes, a fim de facilitar o acesso aos serviços de acolhimento.

No mais, o Plano de Governo da candidata da Frente de Esquerda, apresenta medidas para educação, saúde, moradia, mobilidade urbana, meio ambiente, segurança pública, cultura e informação e comunicação. No site da campanha de Xênia Mello, é possível conferir as ideias e detalhes para cada uma dessas áreas.

PERFIL DA CANDIDATA

Xênia Mello é formada em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e mestranda em Sociologia na mesma Instituição. Ela é especialista em Literatura Brasileira e História Nacional pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Atualmente, é membro do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher em Curitiba e servidora pública na UTFPR. Seu vice, Rodolfo Jaruga, é servidor público do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR)

 

CIRCO DA DEMOCRACIA

A primeira participação em debate de Xênia Mello, ainda como pré-candidata pelo Psol, ocorreu no dia 13 de agosto, no Circo da Democracia, instalado na Praça Santos Andrade, em frente ao prédio histórico da UFPR, no Centro de Curitiba. A iniciativa representou um dos maiores fóruns públicos do País, abordando temas como democracia, educação, política, justiça, arte e cultura, economia e comunicação.
Na ocasião, a candidata do Psol abriu o Grupo de Trabalho Cidades, com o intuito de discutir propostas de moradia, de transporte e de segurança pública. Para esse GT, foram convidados todos os pré-candidatos à Prefeitura de Curitiba, contudo, além de Xênia, compareceram apenas Tadeu Veneri (PT) e Requião Filho (PMDB). Devido à falta dos representantes dos demais partidos, o tempo individual para exposição de propostas e debate se alargou consideravelmente.
Frente a uma plateia diminuta, o discurso da advogada Xênia destacou-se em relação aos outros candidatos, por pautar absolutamente todas suas propostas em defesa dos Direitos Humanos de maneira didática.

Sobre a segurança pública, Xênia disse, enquanto cidadã, que a temática deveria ser baseada em melhorias para a Guarda Municipal, a partir da proposta de “autonomia orçamentária para a gestão da Guarda, cuja administração seja com participação da população e da sociedade civil organizada, de forma que o destino da Guarda tenha participação das mulheres negras, das pessoas da periferia e de toda a população que tem interesse em uma Guarda Municipal cidadã”.

 

POLÍTICAS PÚBLICAS EDUCACIONAIS E PERMANÊNCIA ESTUDANTIL

Ainda no mês passado (28), a Fundação Casa do Estudante Universitário do Paraná (FCEU) foi palco de uma mesa redonda, com a presença de sete candidatos a prefeito de Curitiba. Do grupo, somente Xênia Mello foi moradora de residência estudantil.

Para ela, a permanência estudantil permeia, também, a garantia de alimentação e de acesso a material escolar. “Moradia estudantil passa, sim, pelo aluguel social e pela regulação fundiária, além da construção de casas de estudante, que podem ser feitas através do IPTU progressivo”, disse.
Em seu discurso, a candidata da Frente de Esquerda falou ainda sobre a política de cotas no ensino superior e a proposta de seu Partido para construir mais restaurantes universitários. “A partir do momento em que a universidade passou a garantir cotas, houve um crescimento e uma pluralidade da produção intelectual”, afirmou ela, ressaltando que “a gestão pública deve ser democrática e participativa, através de conselhos compostos pelos estudantes, inclusive intervindo nas questões orçamentárias”.

 

ESQUENTA  

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 Roda de conversa semanal no Comitê de Campanha, com militantes e eleitores. Foto:Psol

No dia 2 de setembro, no Comitê de Campanha da candidata pelo Psol, localizado na Rua Saldanho Marinho, nº 555, no Centro de Curitiba, Xênia Mello promoveu um encontro com música, arte, solidariedade e resistência. Naquela ocasião, foi lançado o jingle da campanha e, desde então, semanalmente, o Esquenta Xê tem se repetido, reunindo militantes e simpatizantes.

“Falo sobre cultura, os jovens, a população LGBT, sobre a mulher, a negra, a indígena, a população nas ruas. A política é isso, é um lugar de acolhimento e de alegria. Não vou construir nada sozinha, mas com todos vocês”, apregoava a candidata em uma roda de conversa, salientando que “precisamos de representação de esquerda, anticapitalista, feminista para construir uma cidade humanizada, democrática, para todas as pessoas”.

Entre músicas, risadas, panfletagem, fotos e roda de conversa, a comercialização de comidas e bebidas. Após os encontros, o público percorreu as ruas Trajano Reis e São Francisco, reduto de jovens e da boemia curitibana.

(*) Estudantes de Comunicação Organizacional da UTFPR

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