MEMORIAL DE CURITIBA: UM EXEMPLO DE PRESERVAÇÃO NACIONAL

Anneliége Hessel, Igor Pagliuso, Itana Sued, Leonardo Sousa e Tariana Zacariotti (*)

Fotos: Igor Pagliuso

O Memorial de Curitiba, localizado no setor histórico da cidade, próximo do Largo da Ordem, é local que traz todo um contexto histórico muito interessante e também proporciona sensação de calma, paz e tranquilidade, que muitas vezes é o que nosso corpo e alma precisam. Inaugurado em 1996, o espaço é dedicado a vários tipos de demonstração artística que ali podem ser representados, seja uma exposição fotográfica, mostra de pinturas, apresentações musicais, peças de teatro e palestras. O ambiente, além de belo do ponto de vista arquitetônico, tem o seu diferencial na preservação da cultura nacional e, principalmente, da cidade de Curitiba.

memorial14Fachada externa do Memorial de Curitiba

O Memorial de Curitiba conta com cinco mil metros quadrados de área e possui três salas para exposição, uma praça ampla no térreo, onde são realizados eventos para públicos mais amplos e o Teatro Londrina. Vale destacar que o espaço abriga a exposição permanente Capela dos Fundadores, no Salão Paranaguá. Trata-se de um acervo de peças portuguesas, que possui algumas remanescentes da antiga Igreja Matriz de Curitiba. Outras exposições ficam no Memorial por temporadas, como será mostrado nesta reportagem.

memorial-1Capela dos Fundadores em exposição permanente no Memorial de Curitiba

Conexão – Campos Gerais

A professora Cristina Mendes  é responsável pela mostra Conexão – Campos Gerais, que reúne obras de professores e estudantes da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Nas palavras da própria Cristina, em entrevista exclusiva para a AG Comunique: “É fruto do trabalho de professores e alunos do curso de Artes Visuais da UEPG”. Ou seja, o objetivo é tirar os alunos da sala de aula – ou ateliê – para que eles possam expor e conhecer o trabalho de seus professores. Como complementa a curadora, “a ideia foi que a gente pudesse reunir os trabalhos do grupo para conseguir estabelecer um diálogo mais aprofundado, pois nós, professores, conhecíamos o trabalho dos alunos, mas os alunos não conheciam os trabalhos da gente.”

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Exposição Conexão – Campos Gerais

memorial-13Conexão – Campos Gerais

 

Marcos Ribeiro da Silva, aluno de Licenciatura em Artes da UEPG, estava entusiasmado com as exposições: “Acho muito incrível, nunca tinha estado no Memorial de Curitiba antes e me impressionei bastante com as artes e, principalmente, com o fato de muitas delas serem bastante críticas”. Ele destacou ainda que o espaço preserva a história de Curitiba e de outros lugares do Paraná. “Outro ponto importante é que muitas vezes não vemos a arte nacional mesmo, é pouco vista, diferentemente da estrangeira, então é legal ver essa parte nacional, é bem interessante”, completou Marcos.

Cristina Mendes comentou sobre a questão da maior valorização da arte estrangeira do que a nacional: “Curitiba, especificamente, sofreu uma mudança drástica desde 2002 com o Museu Oscar Niemeyer que traz pra gente mostras excelentes, mas outros espaços acabaram ficando abandonados.” Por ser uma atração turística de Curitiba, o MON acaba atraindo muito mais público do que de lugares pouco conhecidos, mas com exposições tão interessantes quanto as realizadas no Museu Oscar Niemeyer: “E os demais locais não abandonados pelas exposições, mostras têm. Eles são abandonados pelo público, porque acaba que o MON é uma atração turística e chama muito mais atenção pois tem ótimas exposições. Mas também há outras exposições excelentes acontecendo que pouca gente vê, ficam mais restritas aos artistas mesmo‘’, afirmou Cistina.

memorial10Conexão – Campos Gerais

memorial-20Conexão – Campos Gerais

Para os patrocinadores é mais vantajosa uma exposição internacional que atrai mais público do que uma nacional que é muitas vezes injustamente desvalorizada. “Como os grandes eventos são vinculados à Lei Renault, vai interessar muito mais ao patrocinador a atração internacional”, explicou.

A professora ainda ressalta o passado glorioso da cultura curitibana: “Houve tempos em que conseguia fazer grandes exposições nacionais e internacionais aqui na cidade, como a mostra da Gravura, a Imagética. Teve uma série de mostras que davam visibilidade nacional para Curitiba, isso realmente está fazendo falta.” E a explicação para que isso não aconteça mais com tanta frequência é de fato o apoio financeiro: “E isso a gente não tem tido muita verba mesmo, porque o problema é dinheiro né? Mas eu acredito que a produção continua.”

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A exposição Conexão – Campos Gerais  estará disponível no Memorial de Curitiba até o dia 23 de outubro de terça à sexta, das 9h às 12h e das 13h às 18h, nos finais de semana das 9h às 15hs.

 

Grandes Histórias de um Pequeno Bairro: O Bom Retiro

O bairro tem esse nome devido ao antigo Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro que funcionou de 1945 até 2012, quando foi demolido.  A perda deste patrimônio cultural representou um impacto muito grande no bairro, afinal, o mesmo foi e ainda é um formador de identidade do local.

O objetivo da exposição é resgatar a história do bairro Bom Retiro, por meio de imagens recolhidas em seu perímetro que oferecem um espelho para seus moradores. E um espelho para todos os demais, alimentando o forte significado e ligação que o patrimônio – apesar de não existir mais no local – tem com o bairro e seus habitantes.

memorial-3A exposição, encerrada no dia 30/9, foi montada por meio de caixas com diversas fotos

M3ND3S

Um trabalho em família é a exposição denominada M3ND3S. Os três artistas, Jair Mendes, Cristina Mendes e André Mendes trazem sua arte como forma de expressão de  trabalhos muito bonitos, cada um com suas características, mas com o olhar igualitário para uma boa arte no maior estilo expressionista possível.

O primeiro deles, Jair, é desenhista e pintor da condição humana, trabalha muito com as oposições, como amor e ódio, por exemplo. Toda sua obra tem um sentido de meditação, que se situa fora do tempo e reflete o mundo interior. Dono de uma expressão fortíssima através de seu traço invejável, Jair Mendes, afirma que a pintura ainda existe e que é necessário resistir. Sem dúvida, o artista é fonte de inspiração para as gerações seguintes da família.

Cris Mendes, a segunda artista e  também professora da UEPG, traz para esta exposição uma mescla do trabalho de pintura, cor e geometrização, sem sair da linha de elementos sagrados, algo que a simboliza, buscando demonstrar o sincretismo religioso por meio da arte. Seu trabalho com referências na umbanda, todo centrado no humano, está ligado à memória, principalmente à matriarca da família, contando com ritos e rituais dos Orixás. A partir de colares de miçangas e adornos corporais, tem como resultado um produto poético da religiosidade popular, mas intimamente familiar, principalmente através de cada objeto amarrado no final de cada fita.

memorial-4 Fitas usadas em rituais da umbanda com um toque familiar da artista Cris Mendes

O último, mas não menos importante artista, é André Mendes. Ele tem formação em Design Gráfico, o que torna sua obra mais gráfica do que pictural, mas com forte influência de seus familiares, principalmente tio e prima. O período que passou na Espanha em convivência direta com obras de pintores renomados como Miró, Tápies e Picasso, e as aulas práticas de desenho artístico, foram enriquecedores ao artista. Seu trabalho tem como base uma pesquisa, iniciada em 2012, analisando o comportamento da tinta sobre as superfícies lisas. Outro ponto da pesquisa foi da aplicação de resinas na tela, onde surgem volumes inflados que reagem com o espaço arquitetônico.

memorial-5jpg Exposição M3NDES

A exposição M3ND3S teve curadoria de Fernando Bini e esteve aberta à visitação no Memorial de Curitiba até o dia 21 de setembro.

 

Imagem.meio.palavra

Outra exposição que ocupou o espaço do Memorial em setembro tem uma temática muito interessante: trata-se de um projeto da Airez – Galeria de Artistas Independentes. O intuito é dar visibilidade a artistas que estão começando ou que ainda não possuem patrocínios para expor seus trabalhos. É a primeira vez que a Airez organiza uma exposição coletiva, são 40 artistas de oito estados diferentes, todos vindos de uma seleção de inscritos pelo site da galeria (https://airez.art.br).

Imagem.meio.palavra, o nome da exposição que se encerrou no dia 30 de setembro, foi também a temática proposta aos inscritos. O desafio serviria para que eles produzissem ou editassem seus projetos com uma certa diversificação, para quebrar a monotonia visual e oferecer significados ainda mais diferentes para cada um que contemplasse as obras.  O criador da Airez, Guilherme Zawa, conta que o objetivo é dar chance para aqueles que são apaixonados por arte poderem seguir esse caminho.

memorial6Mural dos autores da exposição “imagem.meio.palavra”

memorial7 Exposição “imagem.meio.palavra”

memorial8Exposição “imagem.meio.palavra”

O Memorial de Curitiba se localiza no Centro da cidade, na Rua Claudino dos Santos, número 79. Um lugar muito bonito, com energia muito positiva que vale muito a pena conhecer!

*Acadêmicos em Comunicação Organizacional

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