NOVEMBRO AZUL COMBATE CÂNCER DE PRÓSTATA

Anneliege Hessel, Igor Pagliuso, Itana Sued, Leonardo Sousa, Tariana Zacariotti (*)

Novembro Azul é uma campanha de conscientização realizada por diversas entidades, nos meses de novembro, dirigida à sociedade, em especial, aos homens, para conscientização a respeito de doenças masculinas, com ênfase na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de próstata. Surgiu em 2003, na Austrália aproveitando-se das comemorações ao Dia Mundial do Combate ao Câncer de Próstata, data comemorada em 17 de novembro, que foi unificada a comemoração do Dia Internacional do Homem (19 de novembro) data que teve início em 1999 com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU).

No Brasil, a data foi trazida pelo Instituto Lado a Lado pela Vida com o objetivo de quebrar o preconceito masculino de ir ao urologista fazer o exame para diagnosticar o câncer de próstata. Em 2014, o Instituto realizou 2.200 ações em todo o país como a iluminação de pontos turísticos, adesão de celebridades, ativações em estádios de futebol, corridas de rua, além de palestras e intervenções em eventos populares e pedágios nas estradas.

cancer

Em vários países de rendas elevadas, o Movember é mais do que uma simples campanha de conscientização. Há reuniões entre os homens com o cultivo de bigodes ao estilo Mario Bros (personagem fictício da franquia e série de jogos eletrônicos Mario da Nintendo) símbolo da campanha, onde são debatidos, além do câncer de próstata, outras doenças como o câncer testicular, depressão masculina, cultivo da saúde do homem, entre outros.

O câncer de próstata quando comparado ao de mama, proporcionalmente, atinge um contingente muito maior da população. Um dos principais fatores, além da falta de informação, é o preconceito em realizar os exames, mesmo sendo o câncer de próstata o segundo mais comum entre os homens – atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. Em valores absolutos, e considerando ambos os sexos, é o quarto tipo mais comum. A taxa de incidência é maior nos países desenvolvidos em comparação aos países em desenvolvimento.

De acordo com informações do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), o Brasil deve registrar, neste ano, 61.200 novos casos de câncer de próstata, com uma estimativa superior a 26 mil mortes. No ano passado, a projeção era de 68.800, mas não se pode dizer que houve uma redução no número de novos casos no País. Explica o site da instituição: “A permanente produção de informações sobre a incidência de câncer, assim como alterações na metodologia de cálculo, impedem a comparação de estimativas de diferentes períodos. As estimativas devem ser usadas para planejar ações futuras e não para fazer comparações históricas.” Atualmente, cerca de 20% dos pacientes portadores de câncer de próstata ainda são diagnosticados em estágios avançados. Por razões que estando sendo estudadas, o risco de câncer de próstata é 70% maior em negros do que em brancos não-hispânicos.

Ainda  segundo estimativas do INCA, o câncer de próstata, mais do que qualquer outro tipo, é considerada uma doença da terceira idade, já que cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. O aumento observado nas taxas de incidência no Brasil pode ser parcialmente justificado pela evolução dos métodos diagnósticos (exames), pela melhoria na qualidade dos sistemas de informação do país e pelo aumento na expectativa de vida. Alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte. A grande maioria, porém, cresce de forma tão lenta (leva cerca de 15 anos para atingir 1 cm³ ) que não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem.

O diagnóstico do câncer de próstata é baseado no sistema de graduação de Gleason determinado após a análise das biópsias da próstata e no toque retal através do nível do Anti PSA – Antígeno prostático específico, que é encontrado principalmente no sêmen, mas em uma pequena quantidade também pode ser detectada no sangue. A chance de um homem desenvolver câncer de próstata aumenta proporcionalmente com aumento do nível deste PSA.

No facebook existe a página NovembroAzul, que fornece informações aos homens que têm interesse em saber mais sobre o câncer de próstata, como tratar ou depoimentos de pacientes que já tiveram essa doença. Nele há várias publicações e informações de oncologistas – especialidade médica que estuda os cancros (tumores malignos) e eventos formais realizados pelos administradores ou por outros grupos de apoio ao combate da doença.

Mesmo com as constantes iniciativas de mobilização, estima-se que um a cada seis homens ainda terão câncer de próstata ao longo da vida, e um a cada 34 morrerá da doença. Apesar das estatísticas desanimadoras, sabe-se que nove a cada dez casos tem a chance de cura se tratado precocemente.

 

“VIVER UM POUCO MAIS, COM SAÚDE VALE A PENA”

Para abordar o assunto com mais profissionalismo, a equipe da AG Comunique foi atrás de um especialista para responder algumas das perguntas mais frequentes e que ainda causam dúvidas nos homens sobre um assunto tão importante a ser tratado e, principalmente, debatido.

O entrevistado, José Maria Modesto, formou-se em Medicina na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), atualmente reside e atende no interior do estado de São Paulo, na cidade de Taquaritinga. Confira a entrevista:

AG Comunique: Qual a função da próstata?

A próstata é uma glândula auxiliar do sistema genital masculino, localizada na frente do reto e embaixo da bexiga urinária. O tamanho da próstata varia com a idade. Em homens mais jovens, têm aproximadamente o tamanho de uma noz, mas pode ser muito maior em homens mais velhos.

A função da próstata é produzir o fluido que protege e nutre os espermatozoides no sêmen, tornando-o mais líquido. Logo atrás da próstata, estão as glândulas denominadas vesículas seminais, que produzem a maior parte do fluido para o sêmen. A uretra, que transporta a urina e o sêmen para fora do corpo através do pênis, atravessa o centro da próstata.

 AG Comunique: Quais são os sintomas do câncer de próstata?

O câncer de próstata em estágio inicial geralmente não causa sintomas, enquanto em estágio avançado pode causar alguns, por exemplo:

  • Micção frequente.
  • Fluxo urinário fraco ou interrompido.
  • Impotência.
  • Vontade de urinar frequentemente à noite.
  • Sangue no líquido seminal.
  • Dor ou ardor durante a micção.
  • Fraqueza ou dormência nas pernas ou pés.
  • Perda do controle da bexiga ou intestino devido a pressão do tumor sobre a medula espinhal.

Se a doença se disseminou, o homem pode apresentar sintomas como dor nas costas, quadris, coxas, ombros ou outros ossos.

AG Comunique: Este tipo de câncer  é mais comum em qual faixa etária?

O câncer de próstata aumenta sua incidência com o aumento da idade. Vale salientar que: Entre os setenta e oitenta anos existe previsão de que mais de 50% dos homens terão câncer de próstata. O câncer de próstata (CaP) permanece como a neoplasia sólida mais comum e a segunda maior causa de óbito oncológico no sexo masculino. Dados da Organização Mundial de Saúde em 2015 no Brasil, a mesma instituição previu 79.882 novos casos e 18.850 óbitos no mesmo período, o que significa que ainda quase 25% dos portadores de câncer de próstata morrem devido à doença.

AG Comunique: Há como identificar o tumor através de toques sem o auxílio do médico, assim como é feito no câncer de mama?

Não conseguimos identificar o câncer de próstata sem o auxílio do laboratório, do urologista e do patologista, através do resultado de uma biópsia.

AG Comunique: Quais os passos para o diagnóstico?

Prevenção é o ideal e existem três etapas: 1. Análise laboratorial com o PSA (antígeno prostático específico); 2. Toque Retal; 3. Biópsias da próstata.

AG Comunique: Existe resistência por parte dos pacientes em realizar o exame?

Tivemos um momento há alguns anos com pouca aceitação dos métodos oferecidos para o diagnóstico. Com a divulgação constante do benefício da prevenção e a demonstração das milhares de pessoas que curaram ao se identificar a patologia, a aceitação dos métodos atuais, incluindo o “toque retal” estão muito bem aceitos.

AG Comunique: Qual a importância do exame constante?

Existem várias situações na conduta preventiva, em outros países que não o Brasil, a orientação pode ser diferente da nossa. Não tem uma regra totalmente estabelecida.

Considero importante a realização do PSA (laboratório) entre os quarenta e cinquenta anos e, consequentemente, a consulta com o urologista que determinará a conduta a seguir.   A regra adotada no Brasil é iniciar a avaliação aos quarenta anos nos homens que têm história familiar de câncer de próstata. Em indivíduos sem antecedentes, iniciar o exame aos quarenta e cinco anos. Seguir sempre a orientação do urologista para programar o tempo do retorno e a conduta subsequente.

AG Comunique: Qual é o tratamento?

Primeiro vem a necessidade de diagnosticar o mais precocemente possível. O tratamento depende de vários fatores como: idade, a condição clínica do paciente, o estágio que encontramos a doença, o relacionamento médico-paciente para definir a melhor conduta.

A primeira opção quando identificado em um paciente que faz acompanhamento, é o tratamento cirúrgico, que apresenta um alto índice de cura. Temos outras opções como, acompanhamento intensivo, radioterapia, quimioterapia, criocirurgia. E, como já foi informado, depende de vários fatores para determinar o melhor procedimento.

AG Comunique:  Quais as chances de cura?

O diagnóstico precoce proporciona a chance de cura na maioria dos pacientes. Aqui destacamos novamente  a necessidade da prevenção.

AG Comunique: Há consequências em razão do tratamento? Impotência, incontinência urinária etc.?

Precisamos considerar o tratamento clínico, cirúrgico ou outro tipo de tratamento. O tratamento cirúrgico ou radioterapia podem causar efeitos adversos. A cirurgia pode ter como as principais consequências a impotência e incontinência urinária (perda espontânea de urina) e acontece em graus variáveis desde uma lesão importante até um transtorno parcial.

O Dr. José Maria ainda adverte:

“Trazendo minha experiência sobre os pacientes tratados e não tratados, vemos que, na análise dos que acompanhei, o sofrimento do não tratamento e o óbito, mostram um estado bastante triste para a pessoa e para os familiares. Aqueles pacientes que estão vivos e sem a patologia após vários anos do tratamento, posso dizer que trazem uma grande felicidade para seus médicos e familiares. Minha visão do problema chega à conclusão de que viver um pouco mais, com saúde vale a pena”.

 

“O PESSOAL TIRA SARRO DE QUEM FAZ ESSE EXAME, MAS TEMOS QUE FAZER, NÉ? E NEM DÓI NADA”

paciente

Morador da zona rural no Bairro Conchal Branco, no município de Sete Barras, no Vale do Ribeira, interior do estado de São Paulo, José Cirilo de Souza, aposentado, 86 anos, teve câncer de próstata há dois anos, e agora faz acompanhamento da doença. “Zezinho”, para os mais íntimos, conta como foi passar por um tratamento contra o câncer e como continua o acompanhamento e monitoramento da doença.

AG Comunique: Como o senhor descobriu a doença?

Eu descobri por meio de exames que faço anualmente. Tinha dado alteração no exame de sangue e fui recomendado pelo médico a fazer o exame de toque. Fiz, e no resultado apareceu que eu estava com câncer de próstata.

AG Comunique: Qual foi sua reação?

A pior possível, pois já sou de idade e achava que por isso não aguentaria a uma operação ou qualquer coisa do tipo. Fiquei bastante receoso.

AG Comunique: O senhor tem histórico na família dessa doença?

Pelo que eu saiba, não. Porém, como a gente não tinha acesso a muita informação sobre essas doenças que agora aparecem por aí, as pessoas morriam sem ao menos saber do quê.

AG Comunique: Quem ajudou o sr no tratamento da doença?

Meus filhos me ajudaram e ajudam até hoje com remédios e viagens que preciso fazer para o tratamento.

AG Comunique: Como foi o exame de toque?

Foi normal, nada demais. O pessoal tira sarro de quem faz esse exame, mas fazer o quê? Temos que fazer né, e nem dói nada.

AG Comunique: E o tratamento como foi?

Foi cansativo, tive que sempre ir fazer exames em cidades vizinhas, Pariquera-Açu (cerca de 100km), e Registro (cerca de 20km), fiquei dois meses em Santos, num apartamento alugado com minha filha, fazendo um monte de exames e tratando da doença.

AG Comunique: E como o senhor se sente hoje?

Bem melhor, apesar de ter quebrado o fêmur há pouco tempo, quando fiquei um período de cama. Mas ainda faço acompanhamento, indo pra Santos fazer exames para saber a situação da doença.

Como o senhor José mesmo disse, fazer exame é algo importante e necessário. Se a pessoa sentir qualquer problema ou se faz exame de sangue regularmente e percebeu alguma alteração, é fundamental procurar um especialista para começar o tratamento o quanto antes.

*Alunos do Curso de Comunicação Organizacional da UTFPR

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