AFINAL, O QUE É A BOLSA DE VALORES?

Gabriel Matos, Isabelly Martins, Lukas Guibor (*)

bolsa

Vemos nos noticiários, diariamente, as indicações das altas e baixas das ações e moedas internacionais. Muitas vezes ignoramos estas notícias por não sabermos como tal fato influenciará diretamente em nossas vidas.

A bolsa de valores está presente no cenário econômico há muito mais tempo do que se imagina. Historiadores encontraram indícios que tudo teve início na Bélgica, em 1487. No Brasil, a primeira bolsa de valores foi instalada quase 400 anos depois, no estado do Rio de Janeiro, no ano de 1845.

O crescimento do mercado de ações foi impulsionado depois da famosa crise de 1929, que abalou o mundo inteiro. Muitas empresas conseguiram se reerguer e viram uma oportunidade por meio da comercialização de papéis nas bolsas de valores. Os Estados Unidos da América tem a bolsa de valores mais conhecida atualmente. Como já visto em muitos filmes, a famosa Wall Street é o centro de investimento mais famoso do mundo.

Com o crescimento do mercado, esse modo de investimento chegou ao Brasil, gerando nossa própria bolsa de valores. Nos primeiros anos o mercado brasileiro evoluiu muito, mas representava apenas 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Isso durou até 1991 quando foi aprovada a legislação que permitia a entrada de estrangeiros na bolsa e o Plano Real, que ajudaram muito no mercado, aumentando o número de investidores.

O economista André Luiz Pinheiro, assessor de investimentos da corretora Proxy Agentes Autônomos de Investimento, com 20 anos de experiência no ramo, explica que a economia e a bolsa de valores estão intrinsecamente conectadas. Assim, seus balanços e cotações vão contribuir para a tomada de decisões de todos os agentes que influenciam a economia.

Um exemplo disso são as commodities que, quando em alta, aumentam os preços dos produtos em que são utilizadas, mesmo que a produção seja grande dentro do país. A alta do dólar ou de certo produto tornará a exportação mais atraente para os produtores, tendendo ao aumento do preço mesmo no mercado interno.

Pinheiro ressalta que bolsa de valores tende a acompanhar a economia mundial, portanto, mesmo que a economia interna de um país esteja em recessão, é possível que determinados setores apresentem crescimento em sua bolsa de valores. Todavia, são fatores humanos que influenciam a economia, tornando-a de certa maneira imprevisível – e o principal reflexo da situação econômica está no mercado de ações.

 

COMO FUNCIONA O MERCADO DE AÇÕES?

bolsa1

Uma ação é a menor parte de uma empresa que possui capital aberto. Para que uma organização possa abrir seu capital para investimentos, é necessário cumprir uma série de requisitos definidos pela bolsa onde serão comercializados seus papéis.

No Brasil existem inúmeros tipos de ações que, por suas características, podem ser divididas em dois grupos principais: as ações ordinárias e as preferenciais. Em ambas as ações, o detentor da mesma deve ser identificado nos livros de registro da empresa. As ações normativas, ou também chamadas de ações preferenciais normativas (PN) são as de maior incidência no mercado brasileiro. Não dão o direito de votar em assembleia, mas são as “preferenciais” quando há remuneração. Em caso de venda da empresa, não garantem o direito a participação do prêmio de controle, que é o valor a mais pago ao dono da maior parte das ações (80% ou mais das ON).

Já as ações ordinárias (ON) oferecem mais controle aos seus detentores, como por exemplo, a participação em assembleias para decidir o futuro da empresa. Porém, não possuem o poder de veto, sendo o detentor majoritário desse tipo de ação, o responsável pelo controle da organização.

bolsa2Bovespa. Operadora do mercado de ações brasileiro. Créditos: Aqui

 

COMO INVESTIR EM AÇÕES?

No Brasil a venda e compra de ações acontece na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa). Essas negociações são feitas através de corretoras habilitadas pela comissão de valores mobiliários (CVM).

Para poder comprar e vender ações é necessário fazer um cadastro na corretora, que intermediará as transações a partir de um custo determinado chamado de taxa de corretagem. Não há valores mínimos para se investir em ações, eles variam de acordo com a corretora e o preço das ações que serão compradas. Porém, dependendo da corretora, as taxas de corretagem são fixas e relativamente altas. Portanto, para quem investe valores pequenos, como R$ 1.000, a melhor opção é o investimento em um fundo ou clube.

As ações podem ser compradas de três maneiras. Uma delas é fazendo um fundo de investimento, que consiste em: cada um dos seus investidores possui uma cota, que corresponde a uma porção do total de ações que o fundo tem. Os fundos têm seu próprio estatuto, que informa suas regras, o grau de risco de seus investimentos, valor mínimo de aplicação. Todo fundo precisa ter um gestor certificado pela CVM, que coordena as compras e vendas de ações. Assim, quando uma pessoa adere a um fundo, deve estar de acordo com sua política de investimento, especificada no estatuto.

Outra forma de investir são os clubes de investimento. Os clubes têm um caráter menos formal que um fundo. Um grupo de amigos ou familiares pode formar um clube, que pode ser aberto com no mínimo três pessoas e pode chegar até um limite de 50. Diferentemente dos fundos, os clubes não precisam de um gestor certificado pela CVM, mas de um representante que dê à corretora a ordem de compra ou venda de ações.

E, por fim, há o investimento individual. Neste caso, a pessoa por si só controla as ordens de compra e venda de suas ações. Para escolher quais comprar, pode contar com os analistas da corretora, que irão tirar dúvidas e ajudar a identificar quais são os bons investimentos para aquele momento.

A compra e venda de ações é considerado um investimento de alto risco, devido às variações no preço das ações: não tem como saber ao certo se elas irão dar lucro ou prejuízo. Existem técnicas utilizadas por investidores, ensinadas genericamente em vários meios, que auxiliam na especulação e tomada de decisão do melhor investimento.

Essas análises podem ser definidas em duas características: a análise técnica e a fundamentalista. A análise técnica se baseia na utilização de gráficos para a previsão do comportamento da cotação de uma ação. Existem diversos gráficos disponíveis, com metodologias variadas. A ADVFN é um dos sites que fornecem gratuitamente gráficos com as informações em tempo real das ações.

Já a análise fundamentalista é pautada na história da empresa e em sua solidez. A utilização das técnicas é mesclada, e o melhor tipo de análise é relativo. Um investidor de day trades (transações diárias) terá melhores resultados com a pura análise técnica; já um investidor a longo prazo se apoiará na análise fundamentalista, visando o provável crescimento ao longo do desenvolvimento da organização.

Com a evolução das tecnologias de informação, a acessibilidade ao investimento na bolsa de valores aumentou muito nos últimos anos. A maioria das corretoras oferece o serviço de home broker, um software próprio que dispensa a intermediação de um corretor (o que aumenta o valor da transação pelo custo da assessoria) para a compra e venda das ações.

Para quem deseja iniciar o investimento no mercado de ações, porém, não se sente totalmente preparado, ou não possui o capital inicial que julgue necessário para começar a investir, existem simuladores disponíveis gratuitamente em sites como o FolhaInvest que, inclusive, premia com cursos e iPads aqueles que conseguem os melhores ganhos na plataforma.

bolsa3Carteira de ações no simulador FolhaInvest. Créditos: aqui

 

CONVERSA COM UM INVESTIDOR

Claudio Antonio Kosiba, é empregado público e tem 35 anos, já investe na bolsa de valores há 8 anos. Compartilhou um pouco sobre sua experiência sobre este mercado.

AG Comunique – O que o levou ao interesse em investimento no mercado de capitais?

Kosiba – Primeiramente foi a possibilidade de ganhar dinheiro, mas hoje vejo como a possibilidade de diversificação, num mercado em que posso investir nas empresas mais lucrativas do país e valorizar meu patrimônio a longo prazo.
AG Comunique – Quais as principais dificuldades que enfrentou/enfrenta?

Kosiba – No início queremos ficar operando a todo o momento e não temos conhecimento e nem experiência para tanto. Cometemos muito erros como gastar com muitas taxas, comprar e vender no momento errado e etc.

AG Comunique – Quais as recomendações que você indica para quem quer começar a investir?

Kosiba – Comece investindo como sócio, veja as empresas que lhe agradam e você entende o funcionamento da mesma. Observe se possui lucro consistente, dívida equilibrada, caixa líquido e como você imagina a empresa daqui a 20 anos ou mais.  Sempre fique acompanhando seus investimentos.

AG Comunique – Seria possível apresentar um balanço dos seus investimentos nos últimos meses para demonstrar aos interessados se vale a pena atuar no mercado de ações?

Kosiba – O meu intuito é ser sócio de boas empresas. Meu foco é sempre no aumento do patrimônio. Não costumo olhar muito a rentabilidade, pois no curto prazo não há muito como tirar um parâmetro. No ano passado, vendi meu carro e parte eu coloquei na Ambev e na Cielo, que são empresas boas pelos meus critérios. Porém, a cotação dessas empresas desde então caiu. Nesse período essas empresas distribuíram dividendos, que também sai do lucro, e com isso praticamente dá para dizer que ficou elas por elas. Outras empresas eu comprei com mais sucesso, pois investi menos dinheiro, quase que mensalmente, e num período que as ações estavam em baixa. Hoje, se olhar a rentabilidade houve um avanço bom. A Drogaraia, por exemplo, paguei 37 reais e já chegou a 70 reais e hoje está em 59 reais. Mesmo chegando em 70 eu não vendi, pois meu objetivo é acumular patrimônio e não ficar girando. Para mim a empresa continua a entregar ótimos balanços e, no longo prazo, a cotação tende a acompanhar esses balanços.

Acredito que como sócio é a melhor maneira de iniciar na bolsa, pois você vai investindo um pouco mensalmente e não importa muito a cotação, meu objetivo é que as empresas continuem boas no longo prazo. Se ficarem ruins eu vendo, simples assim. Só deixo o dinheiro no que tem valor. Acho que as pessoas devem focar em guardar um percentual do dinheiro por mês, isso é até mais importante do que investir em ações, mesmo que na poupança. Fazendo isso aos poucos vai aprendendo a escolher boas empresas e, no longo prazo, a tendência é você acumular patrimônio, mas para isso tem que reinvestir os dividendos, juros sobre capital etc..

AG Comunique – Algum comentário geral importante sobre o assunto?

Claudio – Antes de começar a investir é importante ter uma reserva de emergência para não correr o risco de precisar tirar aquele dinheiro investido em renda variável. Definir um percentual do dinheiro para renda variável, capital de risco, renda fixa e outros investimento sempre é bom para saber para onde e como pretende usar aquele dinheiro.

***

O também empregado público, Rubens Lago Junior, de 31 anos começou a investir recentemente e tem tido como principal dificuldade o fator emocional, em controlar a ansiedade para realizar operações de compra e venda. Mesmo tendo iniciado há pouco tempo, recomenda que a cautela e estudo do mercado de ações são essenciais e aponta que é importante utilizar somente o dinheiro que não fará falta, não utilizar reservas de emergência.

O economista André Luiz Pinheiro também deu algumas dicas para quem deseja começar a investir: Antes de tudo o investidor deve procurar uma instituição financeira, o investimento é intermediado pelas corretoras. Ter uma assessoria de confiança é essencial para auxiliar o novo investidor, por isso é realizado uma análise do perfil de investimentos ideais a partir da renda do investidor, capital, inicial, riscos de investimento etc. Mas o mais importante é estudar muito sobre o grau de risco dos investimentos disponíveis, dados das empresas e história delas. Após muito estudo, o investidor será capaz de realizar a importante decisão sobre onde investir de maneira mais consciente e suas chances de sucesso serão maiores.

FONTES:

http://www.passeiweb.com/estudos/sala_de_aula/historia/a_crise_de_1929

http://acervo.novaescola.org.br/historia/fundamentos/que-faz-como-surgiu-bolsa-valores-historia-companhia-holandesa-indias-ocidentais-517581.shtml

https://pt.wikipedia.org/wiki/Wall_Street

http://segredosdasfinancas.com.br/segredos-de-investimentos/como-funciona-o-mercado-de-acoes/

http://www.curiosityflux.com/2016/10/saiba-como-e-quando-investir-em-acoes.html

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Lei_das_Sociedades_por_A%C3%A7%C3%B5es

http://www.comoinvestir.com.br/acoes/guia-de-acoes/tipos-de-acoes/paginas/default.aspx

http://economia.uol.com.br/financas-pessoais/guias-financeiros/guia-como-funciona-a-bolsa-de-valores-e-como-aplicar-em-acoes-na-bovespa.htm

https://blog.magnetis.com.br/tipos-de-investimentos/

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=778

http://www.suapesquisa.com/o_que_e/commodities.htm

https://pixabay.com/pt/bolsa-de-valores-pagar-preg%C3%A3o-1426332/

http://folhainvest.folha.uol.com.br/

http://economia.culturamix.com/investimento-2/o-que-e-home-broker

(*) Estudantes de Comunicação Organizacional da UTFPR

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