O SAMBA EXISTE EM CURITIBA

Gabriel Abreu, Joyce Franco, Amanda Cardoso e Rodolfo Egito (*)

““Curitiba não tem samba”. Essa falácia é ouvida hoje com menos frequência, pois Curitiba tem samba sim, do bom e da melhor qualidade”. A afirmação é de Leonardo Jackson de Lima, integrante do Samba do Compositor Paranaense.

O clima de centenário do samba o País (comemorado no mês passado),  mostra que o ritmo não pertence somente ao Rio de Janeiro, pertence ao coração brasileiro e também está presente em Curitiba.

A capital é conhecida por inúmeras ações culturais, como a Virada Cultural, o Festival de Teatro de Curitiba, o Zombie Walk. Porém, em meio a tantas manifestações de cultura, para se deparar com o samba é necessário procurar, situação que pode estar prestes a mudar.

BREVE HISTÓRIA DO SAMBA NO BRASIL

Sendo considerado por muitos como o ritmo mais brasileiro, o samba tem incorporado o cotidiano do País e completou 100 anos em 2016. De acordo com publicação do portal Uol sobre a história do samba, sua origem principal foram os batuques trazidos pelos escravos africanos. E incorporou uma junção de culturas, ritmos e tradições. Os batuques, que estavam associados principalmente a elementos religiosos, se mesclavam com a dança e aos poucos se juntaram com outros ritmos.

As primeiras rodas de samba surgiram no século XIX, no Rio de Janeiro, até então capital do império. Foi nesse contexto que nasceram as religiões de matrizes africanas, local onde se juntavam mães e pais de santo. A partir desses encontros surgiram as primeiras rodas misturando diversos elementos, como o maxixe e batuque.

Na virada dos séculos XIX e XX, o samba ficou famoso nas periferias e logo depois, firmou nos morros cariocas. Desde seu surgimento, enfrentou diversas formas de repressão e silenciamento, principalmente por causa de suas origens e ligação a religiões de matrizes africanas.

Em 1916 foi gravado o primeiro samba, nomeado de “Pelo Telefone”, com letra de Mauro de Almeida e Donga, cantado por Bahiano. Após 1930, o samba ganhou um novo espaço na indústria musical e  foi usado na política por Getúlio Vargas. Nessa época, o samba saiu da periferia e se tornou gosto nacional.

 

 

 

SAMBA DO COMPOSITOR PARANAENSE

Referência em samba autoral, o Samba do Compositor Paranaense (SCP) existe há seis anos em Curitiba. Como principal objetivo, o SCP busca reunir artistas e compositores para apresentar suas composições. A estrutura é a de samba de roda, com compositores eventuais, que vão poucas vezes, e os permanentes, que compõem a roda e trazem letras todas as semanas. Esse projeto tem um espaço aberto e sem compromisso para quem quer apresentar suas composições.

sambaEncontro do Samba do Compositor Paranaense. Foto: Gabriel Abreu

O projeto é realizado semanalmente desde 2010 e já registrou mais de 700 sambas inéditos apresentados por 200 cantores e compositores. Leo Ferri, um dos responsáveis pela roda, conta o desdobramento que culminou na iniciativa: “Antes do projeto tomar esse formato, ocorriam encontros em casa mesmo em que mostrávamos nossas composições. Então nós queríamos expandir para que mais compositores pudessem ter essa oportunidade, a experiência da roda despertou o samba em Curitiba que já existia, porém, não era estimulado”.

Para Claudio Peba, um dos participantes mais antigos da roda, Curitiba tem samba da melhor qualidade. Por tal motivo, a cada bimestre sai um caderno com cerca de 10 composições, que se tornam um anuário, além de gravação de todos os encontros, justamente para que esse trabalho não se perca na história. Atualmente é muito difícil encontrar trabalhos de samba em Curitiba, então materializar é um passo muito importante para se inserir na história.

As rodas de samba foram encabeçadas por Léo Ferri, Ricardo Dalmaso, Bruno Santos Silva e Bruno da Cuíca, o objetivo é cada um mostrar o seu trabalho sem o sentimento de competição. Baseado no Samba da Vela, de São Paulo, os compositores que têm afinidade nunca deixam de participar da roda, que integra pessoas de várias idades, localidades e profissões distintas. O interessante é que várias parcerias se afirmam nesse espaço, resultando na criação de muitos trabalhos.

JP Silva, músico profissional do Rio de Janeiro, que trabalhou durante anos como diretor de espetáculos da cantora Elza Soares, é um entusiasta da roda Curitiba. Sempre que possível comparece aos eventos e diz sentir muita falta desse formato de samba no próprio Rio de Janeiro.

Claudio Peba comenta: “O Rio de Janeiro tem o privilégio, não sei se benéfico ou maléfico de o samba ser situado lá. Porém, a produção do samba está no Brasil inteiro e, por não termos compromisso com a indústria cultural nosso samba é mais ligado às origens, ele evolui sem se desprender das origens”.

samba1Roda do SCP. Foto: Joyce Franco

O grupo, em parceria com a Secretaria da Cultura do município, vai a escolas e universidades contando a história do samba curitibano autoral, não apenas do produzido por eles, mas a história de várias décadas atrás. Houve um trabalho de pesquisa intenso para descobrir relatos sobre o samba da capital e Ricardo Dalmaso fez dessa pesquisa um trabalho de conclusão de curso. Nela descobriu elementos visuais e musicais que ninguém sabia da existência, como do cantor e compositor Chocolate.

Uma parcela deste resgate histórico tem relação com a primeira escola de samba de Curitiba, fundada em meados de 1940, por Ismael Cordeiro, o Maé da Cuíca. A escola de samba pioneira da cidade se chamava Colorado e foi composta, inicialmente, por ex-jogadores e diretores do Ferroviário. A Colorado viu nascer os primeiros grupos de samba da capital paranaense mas, infelizmente, foi extinta em 2002.

samba3Foto: Gazeta do Povo

Com um livro lançado em comemoração aos 60 anos de escola de samba, o autor João Carlos de Freitas descreve sua importância e como o ritmo se fixou em Curitiba, além de esclarecer suas diferenças com os sambas de outras localidades. O livro ainda conta com as principais composições da escola compiladas em um álbum.

 

CARNAVAL PAULISTANO TERÁ CURITIBA COMO TEMA EM 2017

A cidade foi escolhida como tema da escola de samba Nenê de Vila Matilde, o enredo batizado de Coré Etuba – A ópera de todos os povos, será mostrado fevereiro em São Paulo. O espetáculo programado para o sambódromo paulistano, dividido em cinco partes, mostra os estágios da formação étnica, histórica e cultural da cidade.

No início será apresentado como se fundou Curitiba, por meio do Cacique Tindiquera que fincou seu cajado na terra, indicando onde poderia ser construída a Igreja Nossa Senhora da Luz. Essa cena compõe o cenário natural curitibano com araucárias, azaleias e ipês. O ponto de destaque é a participação dos negros na formação de Curitiba. Em entrevista à Gazeta do Povo o carnavalesco Alex Fão cita: “Esta é uma parte fundamental do enredo. Quero mostrar os negros africanos como os reis e guerreiras que eram em seus países de origem, o que lhes foi negado aqui”.

Esse destaque é algo que muitas pessoas não têm conhecimento, e é necessário que se mostre ao País a realidade curitibana. O enredo aponta ainda a diversidade étnica e soluções de arquitetura e urbanismo implementadas em Curitiba. Para a homenagem foram convidadas atores e atrizes curitibanos e ainda a apresentação de painéis de Poty Lazarotto e poesias de Paulo Leminski.

A visita de alguns dos integrantes da escola a Curitiba agitou a cidade com o ritmo do samba. Colocar a capital paranaense como tema é também mostrar para os empresários locais que investir no carnaval aqui é um bom negócio: além de criar inúmeros empregos, fomenta a cultura e a economia.

 

LUGARES PARA SAMBAR EM CURITIBA

WS Brasil

Oferece desde happy hours, até shows de samba, pagode e samba pop. Tem também transmissão de jogos de futebol, luta e outros esportes, além do chopp e petiscos.

Endereço: Alameda Dr. Carlos de Carvalho, 1330 – Batel, Curitiba – PR, 80730-200

Telefone: (41) 3054-8787

Pety Fubá

Um dos lugares mais tradicionais de Curitiba para quem quer curtir um samba. Com uma tradição de 18 anos de samba de raiz, a casa proporciona um ambiente familiar. Oferece, além do samba, petiscos e cerveja.

Endereço: R. Mateus Leme, 1430 – Centro Cívico, Curitiba – PR, 80530-010

ZéPelin

Decorado com efeitos da cultura afro-brasileira, com imagens de orixás e santos, essa casa proporciona pratos, como a famosa batata suíça, sanduíches, bebidas. O local tem o melhor do samba de raiz, todos os dias ao vivo.

Endereço: Av. Iguaçu, 3083 – Água Verde, Curitiba – PR, 80240-031

Telefone: (41) 3244-6969

Bossa Bar

Faz uma promessa de ser um pedaço do Rio em Curitiba. Traz o melhor do samba rock, samba funk, samba pop e MPB.

Endereço: R. Sen. Xavier da Silva, 210 – Centro Cívico, Curitiba – PR, 80530-060

Seis e meia

Dispondo de um ambiente sofisticado, com várias mesas internas e um espaço de vidro onde se pode ver todo o movimento externo. Proporciona um cardápio vasto de petiscos e um ótimo lugar para curtir um samba.

Endereço: R. Chile, 2180 – Rebouças, Curitiba – PR, 80220-181

Telefone: (41) 3079-1616

Bar doce Lar

Uma boa opção para petiscar, beber cerveja e ouvir samba de qualidade. Dispõe de um clima descontraído e decoração alegre. Seus garçons também são atores e a casa traz os melhores músicos da cidade. Possui dois ambientes, onde duas bandas tocam ao mesmo tempo.

Endereço: Av. N. Sra. Aparecida, 1117 – Seminário, Curitiba – PR, 80310-100

Telefone: (41) 3285-4319

Hora Extra

Um dos bares mais tradicionais de Curitiba, com decoração baseada nos antigos bares cariocas. Sempre tem música ao vivo, boa comida e cerveja.

Endereço: R. Holanda, 193 – Bacacheri, Curitiba – PR, 82510-190

Telefone: (41) 3356-5112

Sociedade Treze de Maio

Com preços acessíveis e o samba no pé, a sociedade traz, durante todo o ano, eventos relacionados ao samba e ao maracatu. Lugar perfeito para quem espera se divertir em ritmo de samba.

Endereço: R. Des. Clotário Portugal, 274 – Centro, Curitiba – PR, 80410-220

(*) Estudantes de Comunicação Organizacional da UTFPR

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