Fobias específicas: os medos irracionais

Em entrevista, especialista explica o que é fobia específica e como tratar

Por Juliana Virgolino

O termo Fobia é frequentemente utilizado, mas o que nem todo mundo sabe é que, fobia é uma classificação médica para definir um nível específico de medo, Dentre essa classificação existem vários tipos de fobia. Em entrevista à Ag Comunique, a psicóloga Sagriely Alves de Paula, especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, explicou o que é fobia específica, e contou pra gente e conta como identificá-la e tratá-la.

 

Sagriely Alves de Paula Especialista em terapia Cognitivo comportamental

Psicóloga afirma que fóbicos geralmente tem dificuldade de receber criticas

AG COMUNIQUE: O que é fobia específica?

SAGRYELE ALVES DE PAULA: Anteriormente, a fobia específica era denominada fobia simples. A fobia é um medo persistente e irracional de um determinado objeto, animal ou até de uma determinada circunstância que represente pouca ou nenhum perigo real, mas que, mesmo assim, provoca ansiedade extrema.

AG: Quais são os tipos de fobia específica mais comuns?

SAGRYELE: Existem diversos tipos de fobias, que vão desde o medo intenso de situações sociais (Fobia Social), de lugares cheios de pessoas (Agorafobia) até o medo de animais, objetos ou situações específicas (Fobia Simples/Específica). De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais, a fobia específica pode ser dividida em, pelo menos, cinco categorias: Animais (aranha, cobras, cães, sapos, baratas); Aspectos do ambiente natural (trovoada, terremotos); Situações (alturas, andar de avião, dirigir, elevador); Outros tipos (medo de vomitar, contrair doenças) e Sangue, injeções ou feridas.

AG: Quem são as pessoas que mais propensas a desenvolver fobia específica?

SAGRYELE: No geral são as pessoas tímidas, educadas, competentes, detalhistas, inteligentes, organizadas, responsáveis. Elas têm dificuldades em receber críticas e quando isso ocorre, frequentemente afeta a autoimagem e a autoconfiança. Elas pensam que todos são melhores do que ela e acham que fazem tudo mal feito, até quando eles são os melhores. O comportamento tímido e educado do fóbico foge dos limites saudáveis, e costumam ser assim pela dificuldade que o portador da fobia sente em se expor emocionalmente, tomar decisões, exigir seus direitos ou mesmo enfrentar naturalmente as mais diversas interações sociais. Estes comportamentos são utilizados para evitar a exposição, o julgamento e a reprovação dos outros.

AG: Existe uma faixa etária em que a fobia específica é mais recorrente?

SAGRYELE: Não há. Alguns tipos de fobia se desenvolvem cedo, geralmente na infância. Outras podem ocorrer durante a adolescência e há aquelas que também podem surgir no início da vida adulta.

AG: Quais são os sintomas da fobia?

Os sintomas não são iguais para todas as pessoas, alguns apresentam todos os sintomas enquanto outros apresentam dois ou três por exemplo. Entre eles os sintomas mais comuns são: sudorese, dor de barriga, frio no estômago, enjoo, vômito, tontura, taquicardia, tensão muscular, cefaleia. O principal sintoma que a maioria das pessoas apresentam é um forte desejo de sair correndo do local e livrar-se da situação, porém este mesmo desejo é bloqueado pelo pavor, fazendo com que a pessoa fique paralisado diante do objeto fóbico.

AG: Como a psicologia diagnóstica fobia?

SAGRYELE: Durante uma primeira consulta que chamamos de anamnese. O diagnóstico é concluído quando o psicólogo identifica prejuízos em uma ou mais áreas da vida do paciente devido aos comportamentos de fuga e evitação ou sofrimento provocados pela fobia. Ou seja quando a pessoa estiver com sua vida limitada como por exemplo, deixar de sair de casa, deixar de dirigir prejudicando a qualidade de vida e a sua autoestima.

AG: Como funciona o tratamento da fobia específica na psicologia?

SAGRYELE: No tratamento da fobia o objetivo é reduzir a ansiedade e o medo provocados por motivo ilógico, irracional e exagerado, ajudando no gerenciamento das reações físicas e comportamentais decorrentes deste medo. Há três diferentes tipos de abordagem que podem ser realizados, dependendo do grau da fobia do paciente. A psicoterapia e quando necessário o uso de medicamentos específicos só podem ser prescritos por psiquiatras. A abordagem que uso no consultório para tratar os pacientes é a Terapia Cognitivo Comportamental, esta é uma linha terapêutica bastante eficaz em tratamentos de depressão, transtornos de ansiedade e fobias. Ela também é conhecida como TCC. Esta acredita que o que afeta os pacientes não são os acontecimentos e sim a forma com que os eventos são interpretados. Existem pensamentos que não analisamos, estes são chamados de “pensamentos automáticos” que podem ser positivos ou negativos. Na terapia cognitivo comportamental o psicólogo vai ajudar o paciente a distinguir e intervir nesses pensamentos, para contestá-los e “mudá-los” utilizando uma variedade de técnicas cognitivas e comportamentais visando uma qualidade de vida melhor e a solução do problema.

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