Haitianos e o mercado de trabalho em Curitiba

Um pouco sobre a vinda de imigrantes haitianos e a luta dos mesmos para a recolocação no mercado de trabalho

Reportagem de Amanda Fernandes, Amanda Schicovski, Pamella Victória e  Victória Diniz (*)

O Brasil teve sua população formada a partir da miscigenação entre indígenas e os mais variados povos que imigraram para cá. O país formado pela pluralidade de diversas culturas e conhecido por sua boa receptividade aos turistas que aqui desembarcam também tem acolhido pessoas que vêm ao nosso país tentar uma nova vida. Somente em 2015, por exemplo, quase 120 mil estrangeiros migraram para terras brasileiras, grande parte deles, haitianos. Curitiba é exemplo de cidade escolhida por muitos como novo lar.

No âmbito estadual, de acordo com estimativas da Casa Latino Americana (Casla) – organização civil que atua com migrantes e refugiados na capital – no ano de 2015, Curitiba abrigava entre 15 e 19 mil imigrantes e refugiados e o Paraná, em média, 60 mil. Além disso, a capital paranaense é a quarta cidade brasileira que mais recebe migrantes haitianos. Muitos deles migraram não  pela vontade de morar em outro país, mas devido ao abalo sísmico ocorrido em 2010, na parte oriental da Península de Tiburon, localizada no sul do Haiti. O mesmo alcançou a magnitude de 7,0 Mw (escala de magnitude de momento), provocando destruição da estrutura físico-econômica do país, acarretando com que os haitianos tivessem que tomar medidas drásticas como sair de seu país.

Entretanto, mesmo existindo muitos haitianos em Curitiba, a qualidade de vida desses cidadãos ainda não foi alcançada. Segundo pesquisa realizada e divulgada em 2014 pelo jornal Gazeta do Povo, 49% dos curitibanos entrevistados não são totalmente a favor da imigração, sendo 13% desses totalmente contra. A mesma pesquisa revela que 10% das pessoas acham que só os imigrantes com baixa qualificação são interessantes para a cidade e 17% é contra a imigração de haitianos. Isso mostra que, além do preconceito existente contra as pessoas oriundas do Haiti, ainda há receio por parte dos curitibanos de que os estrangeiros ocupem suas vagas de emprego.

Mercado de trabalho

A urgência de emprego, considerando que estão longe de seu país e muitas vezes não têm a quem recorrer quando surge necessidade e precisam enviar dinheiro às famílias que permaneceram, faz com que os haitianos acabem aceitando fazer trabalhos braçais ou diferentes de sua área de formação. Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), em 2014, eram cerca de 440 haitianos com carteira assinada, mas apenas 3,4% (cerca de 15 trabalhadores) exerciam funções de sua área de formação. O restante desses trabalhadores, em sua maioria ocupavam cargos que necessitavam apenas de ensino fundamental ou médio para desempenhar as funções. O restante, cerca de 59 deles, trabalhavam em empregos que exigiam nível técnico e apenas um tinha um emprego que tinha como requisito a pós-graduação.  Continue reading

Criatividade para enfrentar a crise

Empreendedores apostam na economia criativa para ressignificar produtos e serviços e propõem novo conceito para o consumo

Reportagem de Bianca Costanski, Bruna Figueiredo, Camila Mancio, Juliana Virgolino,
Letícia Cordeiro e Thiago Viana (*)

Deibd Rodrigues, 37 anos, começou a sua carreira profissional no ramo de vendas, chegou a iniciar os estudos em administração, mas o talento na cozinha o levou para o mercado da gastronomia. Após reunir capacitação profissional na área e atuar em praticamente toda a cadeia produtiva tradicional no setor gastronômico, há pouco mais de seis meses o cozinheiro optou por empreender no ramo e propor um novo conceito de experiência gastronômica. “O Paladar Musical surgiu no um momento em que eu e meu sócio já não nos enxergávamos mais no mercado de trabalho da gastronomia tradicional, que hoje se configura em um sistema bastante viciado”, comenta o cozinheiro que a partir de uma postura de contestação do mercado tradicional, passou a integrar um coworking de projetos voltados ao desenvolvimento do setor gastronômico, o Coletivo Alimentar.

Economia Criativa

Com o Coletivo Alimentar, Deibd Rodrigues tem uma nova forma de renda

O mesmo aconteceu com a designer Bruna Andrade, uma das sócias e fundadoras do Projeto Oficina Gasp. Com apenas R$ 70 no bolso, a inquietação de quem acredita em um negócio e o capital intelectual de designers com muita vontade de empreender, surgiu a marca de calçados Gasp, que já está no mercado há quatro anos. “Eu e meus dois sócios já trabalhávamos com projetos de design desde o primeiro período da faculdade, até que o Renan, um deles, nos falou que o seu pai teve uma fábrica de sapatos nos anos de 1980 e que, por conta de mudanças na economia naquela época, acabou quebrando, mas que o pai sempre teve vontade de voltar a trabalhar com o ofício. Ele nos convidou, então, para ajudar a retomar esse sonho. Mais por curiosidade, acabamos aceitando o desafio”, comenta Bruna. Ainda segundo ela, foi preciso cerca de um ano para conceituar a marca, aprimorar técnicas, adquirir ferramentas, construir o atelier, até que o projeto passasse a funcionar plenamente. Hoje, na verdade, a Gasp é um escritório que presta serviços de consultoria em design para terceiros e possui um projeto de desenvolvimento e venda de sapatos e outros produtos em couro e algodão.

Deibd e Bruna são dois exemplos de brasileiros que encontraram no empreendedorismo uma forma de driblar e superar a crise econômica que se arrasta pelo país desde 2011 e que, hoje, resulta em uma massa de mais de 14 milhões de desempregados, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para eles, mais do que oferecer produtos os quais as pessoas já estão acostumadas a consumir, é preciso se diferenciar agregando valor, oportunizando experiências diferentes ao seu consumidor, gerando emprego e renda. Essas são as principais características que definem a economia criativa. Continue reading

AS FACES DA GASTRONOMIA ORGÂNICA E CONSCIENTE NO CENÁRIO CURITIBANO

 

Beatriz Galindo, Beatriz Rossoni e Fabíola Costa(*)

Fotos: Beatriz Galindo

Ao andar pelas ruas de Curitiba, nota-se uma grande popularização de estabelecimentos comerciais que apostam na gastronomia sustentável e orgânica. Esta tendência vem sendo incorporada por empreendedores que buscam oferecer um estilo de vida saudável a seus clientes, de modo a incentivar a economia local e de pequenos produtores.

Tais locais – lojas, restaurantes, padarias, cafés – geralmente investem em uma decoração autêntica e artesanal, que consiga transmitir os valores que os regem.
O atendimento costuma ser mais personalizado, o cozinheiro muitas vezes sente-se mais próximo de seu consumidor e toma liberdade para explicar pessoalmente a origem dos ingredientes e das receitas, tornando assim, a experiência gastronômica muito mais interessante.

Localizada na Rua Fernando Amaro, em frente a um bar de harleyros, está a Maçã – Padaria Artesanal Brasileira, sinalizada por apenas uma placa de quadro negro e uma fila de consumidores do lado de fora.

organicos

A padaria começou com dois amigos, Gustavo Munhoz Alberge e Lucas Chan Gomide, que depois de morarem na Europa trabalhando em fazendas orgânicas, se envolveram com a cultura dos orgânicos e em especial com a panificação de fermentação natural, muito comum em cidades pequenas da Europa. Ao voltarem para o Brasil, os amigos decidiram dedicar seu trabalho com cozinha para a alimentação mais natural.

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AFINAL, O QUE É A BOLSA DE VALORES?

Gabriel Matos, Isabelly Martins, Lukas Guibor (*)

bolsa

Vemos nos noticiários, diariamente, as indicações das altas e baixas das ações e moedas internacionais. Muitas vezes ignoramos estas notícias por não sabermos como tal fato influenciará diretamente em nossas vidas.

A bolsa de valores está presente no cenário econômico há muito mais tempo do que se imagina. Historiadores encontraram indícios que tudo teve início na Bélgica, em 1487. No Brasil, a primeira bolsa de valores foi instalada quase 400 anos depois, no estado do Rio de Janeiro, no ano de 1845.

O crescimento do mercado de ações foi impulsionado depois da famosa crise de 1929, que abalou o mundo inteiro. Muitas empresas conseguiram se reerguer e viram uma oportunidade por meio da comercialização de papéis nas bolsas de valores. Os Estados Unidos da América tem a bolsa de valores mais conhecida atualmente. Como já visto em muitos filmes, a famosa Wall Street é o centro de investimento mais famoso do mundo.

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CONHEÇA O MERCADO DE MODA SUSTENTÁVEL EM CURITIBA

Julia Folmann e Tiago Correia (*)

A consciência sustentável tem crescido e muitas pessoas têm, literalmente, vestido essa camisa. Pois, torna-se cada vez mais fácil adquirir produtos vindos da moda sustentável, customizar o guarda-roupa ou comprar em brechós.

A historiadora Jackeline Bonato Gomes afirma que as novas gerações vêm tendo cada vez mais consciência da importância de um consumo sustentável. Porém, faz a ressalva: “O mercado é um tanto restrito, você tem de conhecer pessoas desse segmento e aí vai encontrar muita coisa legal, mas não é algo tão comercial e divulgado”.  Ela, que é consumidora de moda sustentável, conhece algumas marcas em Curitiba e o processo de produção das peças, desde a matéria prima, design e confecção.

modasustestavelEntrevista com a historiadora  Jackeline Bonato Gomes na inauguração do Coletivo Design Sustentável.  

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ELES QUEREM SER DONOS DO PRÓPRIO NARIZ (E TAMBÉM DO PRÓPRIO NEGÓCIO)

Samuel Ramos Gonzaga (*)

https://www.youtube.com/watch?v=9IzEgoq7oUo

Escute a música antes de ler a reportagem ou deixe o som rolando enquanto lê esse texto.

Muitos músicos sonham em ser funcionários de uma gravadora, que lhes fornecerá assessoria de imprensa, suporte comercial, jurídico, contábil, um estúdio bom para gravar, músicos de alta qualidade para acompanhá-los em shows e uma série de privilégios, que deixam o artista em situação confortável para se preocupar somente em produzir boas canções em busca do sucesso. O preço disso? A famosa pasteurização, ou seja, o empobrecimento das qualidades artísticas com o intuito de somente agradar a massa.

Isto vende, gera dinheiro, conforto e segurança na carreira. É o sonho de muitos cantores, que querem viver uma vida tranquila através do seu talento – o que é extremamente válido. Mas há artistas que não estão dispostos a se tornarem um mero funcionário que gera mais lucro ao dono da gravadora. Esses, chamados artistas independentes, buscam ser protagonistas da própria carreira, mesmo que isso custe muito mais trabalho, pois as preocupações não são só com a música, mas sim com tudo que é necessário para que ela chegue até os ouvidos do público.

Marechal versa sobre isso na música que é trilha sonora desta reportagem: “Um só caminho. Mais que música, é uma missão. Não rendo pra gravadora. Quer me por sobre pressão…”. Espirito Independente é um hino ao artista que vai à luta sem pasteurizar sua mensagem e sua essência. Ele busca vender muito? Busca. “Meu som é de vida e se divide em longevidade e visão. Mas sem neurose. Igual Calypso, se eu puder vendo um milhão”.  Afinal, essa é sua fonte de sobrevivência. Mas também busca manter-se fiel ao seu chamado e aquilo que acredita ser seu propósito de vida. “Em honra ao sangue do meu sangue, eu jamais dei meu sangue em vão”, sustenta a canção.

marechalFonte: https://www.google.com.br/search?q=marechal+espirito+independente&biw

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NOVAS FORMAS DE EXPERIÊNCIA EM VIAGENS

Bárbara Brayner, Igor Saiene e Luciano De Marchi Mello (*)

Escolher um destino, comprar passagens, reservar hotel, arrumar as malas e partir com a mente cheia de desejos e expectativas. Pra quem gosta de viajar, essas etapas sempre se repetem de uma forma natural, certo? Não! É o que afirmam muitos viajantes atualmente, principalmente os mais jovens. A forma de viajar mudou bastante nos últimos anos e a busca por novas e instigantes experiências é algo incorporado a esta prática.

A vontade de explorar novos lugares e conhecer pessoas estabelecendo uma conexão que transcende as viagens tradicionais é a principal característica dos membros da comunidade do Couchsurfing que, traduzido ao pé da letra, quer dizer: Surfe no Sofá. Criado em 2004 por quatro amigos, ela já contabiliza 12 milhões de membros presentes em 200 mil cidades ao redor do mundo.

O Couchsurfing possui páginas de perfis de pessoas, assim como o Facebook, porém nele os usuários oferecem suas casas para hospedar estranhos ou, segundo a filosofia dos membros, não são exatamente estranhos e sim amigos que você não conheceu ainda.  É possível solicitar um cantinho pra se hospedar em praticamente todos os países do mundo. Ou marcar um wine tour em Mendoza, na Argentina. Passear de bike na linda Amsterdam, tomar mojitos e ouvir salsa nas bodeguitas de Havana, tudo isto na companhia de um nativo. Para aqueles viajantes adeptos do Couchsurfing, viajar não se resume apenas a conhecer um destino novo e explorar suas rotas turísticas. Viajar é muito mais que isso!

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IDEIAS EM TEMPOS DE CRISE

Bruna Carvalho e Leonardo Wollinger (*)

O Brasil passa por momentos difíceis. Em tempos de recessão, crise econômica e conturbações políticas no país, muitas empresas têm encarado situações adversas e buscam a diminuição de gastos para garantir a sobrevivência. Dentre todos os cortes possíveis, os mais preocupantes são as demissões em massa que têm ocorrido em vários segmentos da economia, elevando as taxas de desemprego e obrigando as pessoas a apostar em novas maneiras de empreender para sobreviver. Juntando um sonho e a vontade de crescer, muitos ex-empregados têm “se tornado empresas”, o que nos últimos tempos tem aquecido o surgimento de startup’s e o investimento no meio digital na área de negócios.

Segundo o relatório de varejo online, disponibilizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a maioria dos que decidem investir no comércio online possuem alta escolaridade (75%), além de estar entre a faixa etária de 25 a 44 anos (84%). Ainda neste segmento, o crescimento de 2005 até 2015 trouxe boas expectativas para os empreendedores, que conquistaram a maior confiança dos consumidores, o que traz uma estimativa de aumento de 8% no faturamento para 2016.

Apesar do nome americano e da clara relação que a população faz do termo startup com a área de tecnologia, se engana quem acha que todas as empresas que surgem hoje estão ligadas com o meio digital. Startup’s podem ser definidas como “um grupo de pessoas que inicia uma empresa, trabalha com uma ideia diferente, escalável e em condições de extrema incerteza”, ou seja, quem empreende e decide ter o próprio negócio em tempos de crise.

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DEMOLINDO O REAL: A SHARING ECONOMY NO DIA-A-DIA

Larissa Alves (*)

Caminha-se nas ruas e difícil é ver alguém que não porte um smartphone, o aparelhinho está ao alcance das mãos em um saque rápido e faz com que a vida no meio virtual seja constante. Esse meio virtual talvez se mostre como algo que sobrepõe a necessidade de instalações físicas para alguns modelos de negócio. Afinal, a geração Z está crescendo e trouxe consigo inúmeras inovações, entre elas um novo modelo econômico. A moda agora é a sharing economy, em português conhecida como a “economia colaborativa”. Trata-se, nada mais, nada menos do que um conceito de mercado baseado no compartilhamento de bens ou serviços.

Com a facilidade de acesso a ferramentas online, a criação de novas propostas de economia é uma maneira muito viável de inovação que move o capital em nível internacional. E essa tendência só vem crescendo em diversos ramos de atuação.

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