Iniciativas universitárias que tornam o mundo mais sustentável

Projetos sustentáveis que buscam conscientizar estudantes sobre resíduos sólidos na UTFPR

Reportagem de Amanda Schicovski, Pamella Victória e Victória Diniz(*)

Do papel de bala ao almoço no Fast Food, você já parou para pensar na quantidade de lixo que você descarta por dia? Segundo o último Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, realizado em 2015 pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), somente no Paraná, cada habitante produz em média 0,748g de lixo por dia. No âmbito municipal, apesar de Curitiba ser reconhecida como a capital mais limpa do país e apresentar dados positivos em relação à produção de lixo per capita, a pioneira na coleta seletiva ainda tem números muito baixos com relação à destinação de todo o resíduo sólido que é coletado na cidade. Estes dados são apresentados em um relatório técnico produzido pelo Professor da Universidade Federal do Paraná (UTFPR), Christian Luiz da Silva.

Pensando em solucionar a grande produção de lixo e também a destinação deles, alunos e professores da UTFPR desenvolveram projetos que visam controlar e reaproveitar os resíduos produzidos na universidade. Além de ter como objetivo conscientizar os alunos e servidores para a realização de práticas sustentáveis no cotidiano, os projetos colocam em prática propostas que foram idealizadas em sala de aula.

Projetos desenvolvidos na UTFPR

Como apresentado no estudo elaborado pelo Professor Christian Luiz da Silva, Curitiba ainda encaminha para a reciclagem apenas 5,7% de todo seu resíduo produzido. Considerando que a porcentagem é relativamente baixa quando comparada ao descarte de lixo, iniciativas no ambiente universitário contribuem para o uma maior separação dos resíduos produzidos na cidade. O projeto ‘’Jogada certa’’ teve seu início na disciplina de Educação Ambiental, junto ao Departamento de Química e Biologia (DAQBI), com orientação da professora Tamara Van Kaick, Doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná (2007).

meio ambiente

Professora Tamara Van Kaick, experiência em projetos voltados para o Meio Ambiente na universidade (Foto: Arquivo Pessoal)

Continue reading

Advertisements

Não é só uma sacola

O uso doméstico e organizacional de sacolas plásticas é um mau hábito dos brasileiros que gera grandes riscos ambientais

Reportagem de Caroline Dallagrana, Danilo Siqueira, Giulia Boiko, Luísa Sampaio e Naara Martins (*)

As organizações vêm se adaptando às necessidades dos consumidores e do planeta. O aumento de campanhas de conscientização com relação ao aquecimento global e questões ecológicas trouxe uma nova necessidade ao mercado. No entanto, ainda há muitas medidas que podem ser adotadas para minimizar os problemas e uma delas é a diminuição do uso de sacolas plásticas.  As sacolas plásticas são produzidas a partir de uma resina derivada do petróleo, recurso natural não renovável, chamada polietileno. Além das consequências geradas durante sua produção, muitas são descartadas de maneira inadequada, o que gera mais poluição e contribui para o entupimento de bueiros e aumenta significativamente o risco de enchentes.

No Brasil, a utilização de sacolas plásticas tornou-se um hábito devido sua comodidade, pois além de ser a maneira mais popular de transportar mercadorias, elas são utilizadas posteriormente para depositar os resíduos domésticos. Sendo assim, a consciência em relação às consequências do uso de sacolas plásticas pode existir, mas as alterações de hábitos e comportamentos são dificultados devido a conveniência que elas oferecem. Ainda assim é possível estimular a substituição delas em outras situações, a fim de diminuir grande parte do impacto ambiental causado.

As discussões sobre o tema são abordadas frequentemente e sua relevância se tornou tão grande que já foi assunto da Campanha do Ministério do Meio Ambiente (MMA) com o título “Saco é um saco”, visando a redução do uso das sacolas plásticas. Além disso, o Ministério divulga em seu site, desde 2009, dados impactantes a respeito do uso de sacolas plásticas: anualmente, são consumidas entre 500 bilhões e 1 trilhão de sacolas plásticas no mundo, e 1,5 milhão de sacolinhas são distribuídas por hora no Brasil. Informa também que para a produção de sacolas são consumidos petróleo ou gás natural (ambos recursos não renováveis), água e energia, são liberados efluentes (rejeitos líquidos) e são emitidos gases causadores do efeito estufa.  Continue reading

VILA 29 DE OUTUBRO: UMA PERIFERIA ESQUECIDA DE CURITIBA

Beatriz Rossoni, Beatriz Galindo, Fabíola Costa, Gabriel Matos,

Isabelly Martins, Lukas Guibor (*)

 ocupacao1A ocupação 29 de Outubro ocupa parte do antigo lixão do Caximba. Foto: Lukas Guibor

Curitiba, conhecida como a Cidade Ecológica desde os anos 90, demonstra preocupações com o meio ambiente há mais de um século XIX. Em 1886 foi inaugurada a primeira obra de saneamento de grande porte, o Passeio Público. Esse tipo de empreendimento, envolvendo saneamento e meio ambiente, se tornou comum a partir dos anos 70 e tem relação com a maior parte dos parques da cidade, como o Barigui, Bacacheri, Tanguá, Tingui. Hoje, Curitiba conta com 34 áreas verdes (18 parques e 14 bosques) e, mesmo assim, tem problemas ambientais como qualquer centro urbano.

Para compreender a cidade e a forma com que o meio ambiente é pensado é preciso retornar aos anos 40, época em que a capital passava por grandes modificações e crescimento. Neste período, a prefeitura convidou o urbanista Alfredo Agache para criar o primeiro Plano Diretor da Cidade. Na continuidade do crescimento, observa-se a necessidade de um novo Plano Diretor, que contemplasse melhor as necessidades de crescimento e proteção da cidade; cria-se o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC) em 1965, e com ele o Plano Diretor que se mantém até hoje com as devidas alterações.

O Plano Diretor tem como uma das premissas pautar o crescimento da cidade, protegendo suas áreas de nascente, manancial e preservando o meio ambiente. Mesmo assim, Curitiba cresce em direção a zonas protegidas e uma das formas disso acontecer é por meio das ocupações irregulares.

De acordo com dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística  (IBGE), de 2010, a capital paranaense tinha  49.706 moradias em áreas de ocupação irregular com uma população de 163.301 – números que certamente sofreram elevações nos últimos seis anos. Para apresentar de forma mais concreta esta grave questão social, há o exemplo da Vila 29 de Outubro, localizada no bairro do Caximba, no extremo sul do município.

Continue reading