Moda sem gênero, a renovação do unissex

Genderless é a nova tendência do universo da moda e defende a livre-escolha sem delimitações do que é feminino e/ou masculino

Reportagem de Adilson Junior, Joyce Franco, Juliele Nadalini e Weverton César Cruz (*)

A moda sem gênero, conhecida atualmente como Genderless ou Agender, é um movimento que responde a uma demanda social, com intuito de quebrar paradigmas e em um primeiro momento trazer uma reflexão coletiva. O conceito sem gênero tende a ter um papel didático, no sentido de não reprimir o uso de cores e roupas. Esse movimento busca equalizar sistemas antigos, e trazer a pouca diferenciação de gêneros, que envolvem a infância: nos brinquedos, nas cores, nos objetos e principalmente no debate limitador entre o feminino e o masculino. Como resposta a questão de gênero em roupas, a moda Agender vem garantindo, para muitos, o conforto, bem-estar e a livre escolha do vestuário diário.

Este movimento encontra-se em um momento de conquista de representatividade, mas essa questão é discutida há muito tempo. Segundo Luan Valloto (26), professor de Design de Moda na Universidade Positivo (UP), formado em design pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e especialista em Ecodesign pela Design Ao Vivo, esse debate foi representado inicialmente pelos gregos. Estes, com um retângulo, fizeram o quiton, a roupa mais característica dos gregos, essa vestimenta era uma espécie de túnica branca, utilizada por homens e mulheres. Avançando na história, nota-se o papel de grandes estilistas como Coco Chanel (1920) e Yves Saint Laurent (1960), que mudaram totalmente o cenário da moda feminina de suas épocas.   Continue reading

A mobilização política on-line expressa nas ruas

Movimentos Sociais contemporâneos tomam as ruas explorando a internet para o engajamento em causas conjuntas

Reportagem de  Bianca Costanski, Bruna Figueiredo, Camila Mancio, Juliana Virgolino, Leticia Cordeiro e Thiago Viana (*)

No último dia 17 de maio, a divulgação da gravação do áudio de uma conversa entre o proprietário do frigorífico JBS, Joesley Batista, e o presidente Michel Temer, iniciou um novo ponto de tensão e agravou a instabilidade política e institucional que se instalou no país desde o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Na conversa, entre Joesley e Michel Temer, gravada pelo empresário, dentro do Palácio Jaburu, o proprietário da JBS conversou com o presidente sobre diversos assuntos, entre os quais como vinha agindo para obstruir o avanço de investigações de parte da operação Lava-jato, e como vinha ‘comprando’ o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Ainda durante a conversa, Joesley teria recebido anuência de Temer em relação a estes assuntos. As interpretações mais críticas em relação à conversa destacaram a postura conivente do presidente em relação às atitudes descritas pelo empresário.

As notícias sobre conteúdo do áudio incentivaram, imediatamente, nas redes sociais, a organização de diversos atos contra o governo federal e em favor da renúncia do presidente. Diante de denúncias que geraram, inclusive, 13 pedidos de impeachment por crime de responsabilidade.  Esse tipo de mobilização on-line, com a convocação de pessoas para as ruas, tornou-se comum em grandes cidades por todo o mundo nos últimos anos. Em Curitiba, dois atos foram marcados pela internet para o dia seguinte da divulgação do áudio, 18 de maio de 2017.

Fora Temer Curitiba

Em Curitiba, manifestação na Praça da Mulher Nua pedia a saída de Michel Temer da presidência no dia 18 de maio de 2017 (Foto: Camila Mancio)

Continue reading

Mobilização para além do simples uso da maconha

Movimento social enfrenta preconceitos e luta pela descriminalização do uso da maconha em Curitiba

Reportagem de Vitor Ilha (*)

A legalização da maconha no Brasil já é tema recorrente na sociedade e adentra os campos institucionais de debate. A pauta entrou em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) em meados de 2015, quando apenas três ministros, de onze no total, teriam votado. O ministro Teori Zavascki, morto em janeiro deste ano, que deveria dar sequência à votação, pediu uma interrupção do julgamento para melhor analisar o caso. Desde então, esse assunto nunca mais foi tratado pelo Supremo.

Com o julgamento sobre a descriminalização ainda em aberto, resta ao substituto de Teori, o ministro Alexandre de Moraes, utilizar o pedido de análise para apresentar seu voto ao plenário. Alexandre é conhecido por ter uma posição contrária a ideia de regulamentar o uso da maconha no Brasil, indicando que a legalização da droga ainda pode estar bem distante de se cumprir.

Cartazes formam a frente da caminhada pela legalização da maconha em Curitiba (Foto: Pedro Nunes)

Em contrapartida, existem aqueles que ainda buscam um posicionamento favorável do supremo a respeito do tema, como, por exemplo, o Partido Popular Socialista (PPS) que, na última sexta-feira (19), entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo, com o objetivo de assegurar o uso da Cannabis Sativa para fins medicinais juntamente com a importação de medicamentos a base de Canabidiol (THC). Alguns movimentos sociais em cidades brasileiras também estão na luta para legalizar o uso da maconha no país, como é o caso da Marcha da Maconha Curitiba que, de acordo com sua página oficial online, tem como missão: informar, educar e publicizar o tema “maconha” como um todo, almejando tornar legal o consumo e o plantio da cannabis Continue reading

Não é só uma sacola

O uso doméstico e organizacional de sacolas plásticas é um mau hábito dos brasileiros que gera grandes riscos ambientais

Reportagem de Caroline Dallagrana, Danilo Siqueira, Giulia Boiko, Luísa Sampaio e Naara Martins (*)

As organizações vêm se adaptando às necessidades dos consumidores e do planeta. O aumento de campanhas de conscientização com relação ao aquecimento global e questões ecológicas trouxe uma nova necessidade ao mercado. No entanto, ainda há muitas medidas que podem ser adotadas para minimizar os problemas e uma delas é a diminuição do uso de sacolas plásticas.  As sacolas plásticas são produzidas a partir de uma resina derivada do petróleo, recurso natural não renovável, chamada polietileno. Além das consequências geradas durante sua produção, muitas são descartadas de maneira inadequada, o que gera mais poluição e contribui para o entupimento de bueiros e aumenta significativamente o risco de enchentes.

No Brasil, a utilização de sacolas plásticas tornou-se um hábito devido sua comodidade, pois além de ser a maneira mais popular de transportar mercadorias, elas são utilizadas posteriormente para depositar os resíduos domésticos. Sendo assim, a consciência em relação às consequências do uso de sacolas plásticas pode existir, mas as alterações de hábitos e comportamentos são dificultados devido a conveniência que elas oferecem. Ainda assim é possível estimular a substituição delas em outras situações, a fim de diminuir grande parte do impacto ambiental causado.

As discussões sobre o tema são abordadas frequentemente e sua relevância se tornou tão grande que já foi assunto da Campanha do Ministério do Meio Ambiente (MMA) com o título “Saco é um saco”, visando a redução do uso das sacolas plásticas. Além disso, o Ministério divulga em seu site, desde 2009, dados impactantes a respeito do uso de sacolas plásticas: anualmente, são consumidas entre 500 bilhões e 1 trilhão de sacolas plásticas no mundo, e 1,5 milhão de sacolinhas são distribuídas por hora no Brasil. Informa também que para a produção de sacolas são consumidos petróleo ou gás natural (ambos recursos não renováveis), água e energia, são liberados efluentes (rejeitos líquidos) e são emitidos gases causadores do efeito estufa.  Continue reading

Criatividade para enfrentar a crise

Empreendedores apostam na economia criativa para ressignificar produtos e serviços e propõem novo conceito para o consumo

Reportagem de Bianca Costanski, Bruna Figueiredo, Camila Mancio, Juliana Virgolino,
Letícia Cordeiro e Thiago Viana (*)

Deibd Rodrigues, 37 anos, começou a sua carreira profissional no ramo de vendas, chegou a iniciar os estudos em administração, mas o talento na cozinha o levou para o mercado da gastronomia. Após reunir capacitação profissional na área e atuar em praticamente toda a cadeia produtiva tradicional no setor gastronômico, há pouco mais de seis meses o cozinheiro optou por empreender no ramo e propor um novo conceito de experiência gastronômica. “O Paladar Musical surgiu no um momento em que eu e meu sócio já não nos enxergávamos mais no mercado de trabalho da gastronomia tradicional, que hoje se configura em um sistema bastante viciado”, comenta o cozinheiro que a partir de uma postura de contestação do mercado tradicional, passou a integrar um coworking de projetos voltados ao desenvolvimento do setor gastronômico, o Coletivo Alimentar.

Economia Criativa

Com o Coletivo Alimentar, Deibd Rodrigues tem uma nova forma de renda

O mesmo aconteceu com a designer Bruna Andrade, uma das sócias e fundadoras do Projeto Oficina Gasp. Com apenas R$ 70 no bolso, a inquietação de quem acredita em um negócio e o capital intelectual de designers com muita vontade de empreender, surgiu a marca de calçados Gasp, que já está no mercado há quatro anos. “Eu e meus dois sócios já trabalhávamos com projetos de design desde o primeiro período da faculdade, até que o Renan, um deles, nos falou que o seu pai teve uma fábrica de sapatos nos anos de 1980 e que, por conta de mudanças na economia naquela época, acabou quebrando, mas que o pai sempre teve vontade de voltar a trabalhar com o ofício. Ele nos convidou, então, para ajudar a retomar esse sonho. Mais por curiosidade, acabamos aceitando o desafio”, comenta Bruna. Ainda segundo ela, foi preciso cerca de um ano para conceituar a marca, aprimorar técnicas, adquirir ferramentas, construir o atelier, até que o projeto passasse a funcionar plenamente. Hoje, na verdade, a Gasp é um escritório que presta serviços de consultoria em design para terceiros e possui um projeto de desenvolvimento e venda de sapatos e outros produtos em couro e algodão.

Deibd e Bruna são dois exemplos de brasileiros que encontraram no empreendedorismo uma forma de driblar e superar a crise econômica que se arrasta pelo país desde 2011 e que, hoje, resulta em uma massa de mais de 14 milhões de desempregados, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para eles, mais do que oferecer produtos os quais as pessoas já estão acostumadas a consumir, é preciso se diferenciar agregando valor, oportunizando experiências diferentes ao seu consumidor, gerando emprego e renda. Essas são as principais características que definem a economia criativa. Continue reading

Empresários juniores movimentam ecossistema em Curitiba

Por Alcilaine de Macedo e Cristiano Sousa (*)

Foco no resultado para vencer os desafios e empreendedorismo colaborativo guiam os passos do Movimento Empresa Júnior (MEJ). Esses e outros assuntos foram pauta do Curitiba Júnior, evento promovido pela Federação das Empresas Juniores do Estado do Paraná (Fejepar), no começo deste mês (08/04), na capital paranaense.

O Setor de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no Jardim Botânico, sediou o encontro, que reuniu mais de 300 jovens universitários de todas as regiões do Estado, que atuam como empresários juniores. Juntos, eles formam uma rede, que compartilha dos mesmos ideais e objetivos, e são responsáveis pelo fortalecimento da estrutura do MEJ estadual, com impacto significativo em nível regional, nacional e global.

Empresários juniores em momento de construção de case compartilhado (Foto: Cristiano Sousa)

Continue reading

VISIBILIDADE LGBT

Cristiano Sousa, Jéssica Maranho, Kamila Silva, Simone Adams e Tarcila Garcia (*)

No Facebook, já é possível escolher entre quase 60 diferentes opções de gênero, inclusive “bigênero” e “questionando”. Alguns games on-line permitem jogadores criarem relacionamentos entre avatares do mesmo sexo e outros abandonaram de vez as restrições de gênero nas vestimentas e cortes de cabelo dos personagens. O Oxford, tradicional e mais completo dicionário em inglês do mundo, adicionou  Sx. como substituto neutro para os pronomes de tratamento Sr. e Sra. E o rapper Young Thug desafia os estereótipos de gênero e movimenta os bastidores do hip-hop ao usar vestidos.

Importante transformação cultural dos últimos tempos, a sociedade passou a tolerar mais o vasto leque de identidades de gênero e sexualidade. Visibilidade LGBT é, atualmente, uma expressão linguística muito usada na desmistificação das diferenças, a ponto de pessoas que se consideram heterossexuais – mas que rejeitam a heteronormatividade – se unirem em apoio às causas de gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros.

A História e a Antropologia mostram que as universidades desempenham papel fundamental nesse processo de transformação cultural e desmistificação das diferenças. Além de ser um instrumento na construção de valores e atitudes, a comunidade universitária possibilita o desenvolvimento do pensamento crítico, a partir da compreensão sobre as diferenças corporais e sexuais, que outrora se criava na sociedade, permitindo um olhar mais reflexivo sobre as identidades sexual e de gênero.

Neste ano, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) – Câmpus Curitiba, um grupo de estudantes de vários cursos formou o coletivo Plurais UTFPR, com o objetivo de apoiar a causa LGBT. De acordo com a universitária Allana Barzick, membro do Grupo, no próximo semestre, a ideia é promover cine debates, reuniões sobre temas específicos, ligados às causas e ao movimento, e intervenções na Universidade. “É um coletivo que conta com a participação de todos, pois os simpatizantes também são uma força essencial para qualquer luta”, comenta.

visibilidadePlurais – grupo de apoio à causa LGBT da UTFPR – Câmpus Curitiba

Continue reading

A RUA SÃO FRANCISCO E SUA DIVERSIFICADA GASTRONOMIA

Daisy Carolina e Maíra Kaline (*)

Todo curitibano, ou até mesmo quem já passou por Curitiba, conhece ou ouviu falar da rua mais alternativa da cidade, a São Francisco, conhecida também  por sua diversidade gastronômica. Localizada no coração da capital, em pleno setor histórico, a Rua São Francisco é uma das mais tradicionais e antigas de Curitiba. Antes de se tornar a lendária São Francisco, era conhecida como a “Rua do Fogo”, onde muitas mulheres se aproveitavam das pensões ou “casas de cômodo” próximas com o intuito de ganhar a vida, no que era chamado então de “cafetinagem”.
chico
Primeira parte da Rua São Francisco com o Largo da Ordem ao fundo. Foto: Maíra Kaline

Com o passar dos anos, a rua foi esquecida pelos  projetos urbanos de Curitiba, causando uma debandada de comerciantes e moradores. Após pressão da população e de políticos, a via passou a se chamar Rua São Francisco, em homenagem ao das Chagas. A ideia da época era que a nova denominação traria um conceito de mais moral e de respeito ao local, anulando a sua má fama.

Mais recentemente, em 2012, a Rua São Francisco foi revitalizada, o projeto se resumiu à reforma das calçadas e da iluminação, além da pintura das fachadas dos edifícios comerciais. A proposta tinha como eixo principal valorizar o passado da cidade e preservar sua memória. Entretanto, a revitalização teve relação direta com projetos turísticos que enxergam a São Francisco como um polo de cultura, entretenimento e gastronomia.

Continue reading

O SAMBA EXISTE EM CURITIBA

Gabriel Abreu, Joyce Franco, Amanda Cardoso e Rodolfo Egito (*)

““Curitiba não tem samba”. Essa falácia é ouvida hoje com menos frequência, pois Curitiba tem samba sim, do bom e da melhor qualidade”. A afirmação é de Leonardo Jackson de Lima, integrante do Samba do Compositor Paranaense.

O clima de centenário do samba o País (comemorado no mês passado),  mostra que o ritmo não pertence somente ao Rio de Janeiro, pertence ao coração brasileiro e também está presente em Curitiba.

A capital é conhecida por inúmeras ações culturais, como a Virada Cultural, o Festival de Teatro de Curitiba, o Zombie Walk. Porém, em meio a tantas manifestações de cultura, para se deparar com o samba é necessário procurar, situação que pode estar prestes a mudar.

Continue reading

AS FACES DA GASTRONOMIA ORGÂNICA E CONSCIENTE NO CENÁRIO CURITIBANO

 

Beatriz Galindo, Beatriz Rossoni e Fabíola Costa(*)

Fotos: Beatriz Galindo

Ao andar pelas ruas de Curitiba, nota-se uma grande popularização de estabelecimentos comerciais que apostam na gastronomia sustentável e orgânica. Esta tendência vem sendo incorporada por empreendedores que buscam oferecer um estilo de vida saudável a seus clientes, de modo a incentivar a economia local e de pequenos produtores.

Tais locais – lojas, restaurantes, padarias, cafés – geralmente investem em uma decoração autêntica e artesanal, que consiga transmitir os valores que os regem.
O atendimento costuma ser mais personalizado, o cozinheiro muitas vezes sente-se mais próximo de seu consumidor e toma liberdade para explicar pessoalmente a origem dos ingredientes e das receitas, tornando assim, a experiência gastronômica muito mais interessante.

Localizada na Rua Fernando Amaro, em frente a um bar de harleyros, está a Maçã – Padaria Artesanal Brasileira, sinalizada por apenas uma placa de quadro negro e uma fila de consumidores do lado de fora.

organicos

A padaria começou com dois amigos, Gustavo Munhoz Alberge e Lucas Chan Gomide, que depois de morarem na Europa trabalhando em fazendas orgânicas, se envolveram com a cultura dos orgânicos e em especial com a panificação de fermentação natural, muito comum em cidades pequenas da Europa. Ao voltarem para o Brasil, os amigos decidiram dedicar seu trabalho com cozinha para a alimentação mais natural.

Continue reading